Despejos no STOP: Rui Moreira escolheu "coerção em vez do diálogo”

18 de julho 2023 - 22:26

Câmara do Porto enviou polícia para fechar lojas do Centro Comercial STOP, onde músicos da Invicta desenvolvem os seus projetos. Deputada municipal Susana Constante Pereira apontou que esta situação faz lembrar o que aconteceu no tempo de Rui Rio.

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Foto esquerda.net.

Um despacho datado de 21 de junho originou esta terça-feira uma operação da Polícia Municipal e da Polícia de Segurança Pública (PSP) no Centro Comercial STOP na qual foram seladas 105 salas de ensaio.

A intervenção foi ordenada pela Câmara Municipal do Porto que, em comunicado, alega que a selagem de 105 das 126 lojas do STOP se deve à “falta de licenças de utilização para funcionamento”.

A autarquia escreve que “as 21 lojas que possuem as devidas licenças de utilização poderão continuar a funcionar normalmente” e que não está em causa “um processo de encerramento do Centro Comercial”.

“Este é um processo que se arrasta há mais de dez anos, tendo o Município vindo, ao longo do tempo, a acumular queixas por parte da vizinhança”, lê-se na missiva.

“É inaceitável que Rui Moreira opte pela força e coerção em vez do diálogo”

Presente no local desde o primeiro momento em solidariedade com os músicos, a deputada municipal do Bloco de Esquerda Susana Constante Pereira afirmou que a opção do executivo de Rui Moreira “pela coerção, pela força em vez do diálogo” é “inaceitável”.

“Esta é uma questão que tem vindo a ser discutida no executivo há meses e não se percebe como é que as pessoas de repente são confrontadas” com esta intervenção, apontou.

Sublinhando que os músicos ficaram “completamente descalços numa altura do ano de grande atividade”, Susana Constante Pereira apontou que esta situação “faz lembrar aquilo que aconteceu no tempo de Rui Rio com o Campo Alegre, com o Seiva Trupe ou com o Rivoli”.

Em causa estão projetos “que põem o Porto no mapa da Cultura” e uma “atividade de criação de que a cidade tanto precisa”.

Num primeiro momento, os músicos foram informados de que teriam de fazer um requerimento formal à Câmara do Porto para poder ter acesso ao espaço e recolherem o seu material. Entretanto, Susana Constante Pereira teve a oportunidade de entrar e falar com o comandante da Polícia Municipal, por forma a garantir que as autoridades não sairiam do local “sem fazer uma interlocução com os músicos que ali estão e precisam do acesso ao seu material de trabalho”.

O comandante da Polícia Municipal e a associação que representa parte dos músicos puderam então chegar a acordo sobre o acesso aos materiais, o que, conforme referiu a deputada municipal, prova que o diálogo era, à partida, possível.