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RTP: Trabalhadores criticam resposta do “Conselho Geral Inexistente”

A Comissão de Trabalhadores da RTP acusa o Conselho Geral Independente de entrar no debate político/partidário para proteger a administração da empresa, provando assim que “o modelo de supervisão da RTP falhou”.
Foto RTP/Flickr

O pedido de explicações do governo ao Conselho de Administração da RTP sobre o memorando assinado com a Federação Portuguesa de Futebol teve não apenas a resposta da administração, como também do Conselho Geral Independente (CGI) da empresa pública de rádio e televisão. Nesse comunicado, o CGI diz que o debate público sobre este memorando ocorre entre “tentativas de erosão política” do modelo de gestão da RTP, com propostas já apresentadas para alterar o modelo de gestão da empresa.

Para a Comissão de Trabalhadores (CT) da RTP, “com este comunicado do CGI fica provado que a supervisão da RTP falhou, por defeitos intrínsecos à sua filosofia de base, dado que quem nomeia é ao mesmo tempo responsável por supervisionar quem nomeou”, mas também porque “quem fundou o modelo não conseguiu manter a distância recomendável entre supervisores e supervisionados, alimentando uma relação de proteção que colocou em causa a sua capacidade de intervir quando era inevitável fazê-lo”.

“Este modelo, em relação ao qual sempre estivemos contra, está morto. De nada servirá à RTP um ‘Conselho Geral Inexistente’”, conclui o comunicado da CT, não poupando críticas à atuação do CGI neste caso particular, ao agir como “interveniente no debate político, respondendo a um primeiro-ministro relativamente a questões que não lhe foram colocadas”.

Quanto às propostas para alteração do modelo de gestão, a CT lembra que o contrato de concessão do serviço público de 2015 tem de ser obrigatoriamente revisto ao fim de quatro anos, pelo que o parlamento está “discutir a questão certa no momento certo, o ano de 2019”.

Conselho de Redação da Rádio contesta "sobredimensionamento" do Centro de Produção do Norte apontado pela administração da RTP

O Conselho de Redação da Rádio pública não deixou passar em claro uma frase do comunicado da administração a propósito do protocolo com a FPF, que afirmava que o Centro de Produção do Norte (CPN) está sobredimensionado e que há espaços para rentabilizar, servindo assim de argumento para a cedência desses espaços ao novo canal da FPF.

Em comunicado, os elementos eleitos do Conselho de Redação (CR) da Rádio lembram que “a Rádio Pública foi despejada do edifício construído para o serviço público de radiodifusão, de um edifício de 3 andares, todos eles equipados com estúdios - ainda hoje -  operacionais, para dar lugar aos gabinetes de direcção do CPN e a um espaço "lounge" onde se recebem VIP´s” no terceiro andar do edifício. A situação tornou-se caricata há pouco tempo, na altura da “visita, com catering, do CGI” às instalações, quando foi “interdito o uso profissional dos estúdios em causa” entre as 10h e as 17h, denuncia o CR.

No segundo andar do mesmo edifício, onde antes estava instalada a redação e programação da rádio pública, com dois estúdios auto-operados, está agora a produção de programas da televisão, que não utiliza aqueles estúdios. A redação da rádio foi deslocada para duas salas antes ocupadas por serviços administrativos no rés do chão, “onde também está instalada uma ilha de gravação, que obriga a que a redação faça silêncio absoluto quando é preciso gravar uma entrevista ou conversa telefónica”, prossegue o comunicado dos elementos eleitos do CR.

Para o Conselho de Redação da rádio pública, “isto mostra o desprezo e a menorização como o serviço público de rádio é tratado, com óbvio prejuízo para os seus profissionais”.

“Se o Conselho de Administração da RTP está empenhado em gerir bem espaços, material, pessoas e meios, também do serviço público de rádio, que reponha as condições e instalações devidas à rádio pública de radiodifusão, que existem e estão indevidamente ocupadas”, conclui o comunicado.

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