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Acordo entre RTP e FPF ficou sem efeito

Enquanto o primeiro-ministro respondia a Catarina Martins ter ficado “perplexo” com o memorando assinado entre a televisão pública e a Federação Portuguesa de Futebol, a FPF fez saber que desobrigou a RTP do acordo.
Foto RTP/Flickr

A notícia foi divulgada enquanto ainda decorria o debate quinzenal com o primeiro-ministro na Assembleia da República. Catarina Martins tinha acabado de questionar António Costa sobre o memorando assinado entre a RTP e a Federação Portuguesa de Futebol (FPF), considerando que ele “põe em causa o equilíbrio da comunicação social em Portugal”, uma vez que a RTP “está a criar um canal concorrente a si própria e com os seus meios”. António Costa respondeu que o governo não teve conhecimento prévio do memorando e recebeu essa notícia com “perplexidade”, tendo em seguida questionado a administração da televisão pública sobre a circunstância em que a RTP participa “numa iniciativa concorrencial da sua atividade e a outros canais de televisão”.

Logo a seguir à resposta de António Costa, a revista Meios & Publicidade avançou com a notícia de que a FPF “decidiu esta semana desobrigar a RTP do memorando de entendimento assinado a 9 de Janeiro” e que previa o apoio do canal público ao lançamento do canal 11, contribuindo com materiais de arquivo, meios técnicos, instalações e funcionários da empresa para o projeto do novo canal da FPF.

“A FPF tem enorme respeito pela RTP e por todos os seus trabalhadores. A FPF continuará a estar disponível para analisar as oportunidades de cooperação com a RTP caso a caso, como sempre sucedeu, nomeadamente as que permitam desenvolver o futebol e permitir o acesso dos portugueses, aos que vivem lá fora e na diáspora, aos jogos das selecções nacionais”, justificou à Meios & Publicidade fonte oficial da FPF.

Na linha da frente à contestação a este memorando esteve a Comissão de Trabalhadores da RTP, que já tinha questionado os termos da licença sem vencimento dada ao jornalista da RTP Carlos Daniel para integrar o lançamento do projeto do canal da FPF.

Ainda esta segunda-feira, a Subcomissão de Trabalhadores da RTP do Porto divulgou o conteúdo da reunião mantida no dia 12 com o Conselho Geral Independente, em que questionou “como é possível prever a utilização de trabalhadores do Centro de Produção do Norte quando tem sido necessário recorrer a outsourcing para suprir necessidades básicas de funcionamento”. Por outro lado, os trabalhadores da RTP manifestaram oposição “a qualquer cedência de estúdios ou/e outros meios técnicos para o trabalho do Canal 11, uma vez que isso implicaria sempre uma redução de produção própria”.

A subcomissão criticou ainda os termos da troca de arquivos entre FPF e RTP como sendo “profundamente desvantajosa” para a televisão pública, alertando para que “podemos estar a falar em vários milhões de euros que se “transferem” sem retorno credível e quantificado”.

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