Bloco propõe que presidente da RTP seja escolhido pela AR

11 de março 2019 - 14:23

O Bloco propõe também o fim do Conselho Geral Independente, criado pelo governo PSD/CDS, e que a Assembleia da República (AR) aprove o programa estratégico de serviço público. Requer ainda a discussão do contrato de concessão da RTP no parlamento.

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Bloco propõe que o parlamento passe a escolher o presidente da administração da RTP e a aprovar um programa estratégico – Foto de Paulete Matos
Bloco propõe que o parlamento passe a escolher o presidente da administração da RTP e a aprovar um programa estratégico – Foto de Paulete Matos

O Bloco de Esquerda já tinha apelado à demissão imediata da administração da RTP, depois dela querer despedir trabalhadores precários a quem os tribunais reconheceram o vínculo laboral. Ao longo dos últimos meses, as sucessivas denúncias da precariedade na RTP multiplicaram-se. Catarina Martins reuniu com trabalhadores no Centro de Produção Norte da RTP e apontou três problemas sobre o PREVPAP na estação pública, denunciando que a empresa “não está a cumprir os prazos”; “não está a cumprir os critérios” e “está a excluir pessoas de que precisa todos os dias”.

No projeto apresentado pelo Bloco, salienta-se que “os problemas estruturais que marcam o funcionamento quotidiano da RTP”, estão sem resposta “há demasiado tempo”, sublinhando que ao desgaste das infraestruturas e à escassez de meios se juntou a precariedade crescente dos trabalhadores da empresa. “À externalização de pessoas e competências, com um critério meramente contabilístico e em prejuízo da empresa, juntam-se os bloqueios à integração de precários e à negociação dos direitos laborais dos seus trabalhadores”, realça o documento, criticando a “reiterada incapacidade do conselho de administração” e o “reiterado silêncio” do Conselho Geral Independente (CGI).

No projeto de lei, o Bloco propõe o fim do Conselho Geral Independente (CGI), reconhecendo que “o modelo imposto pelo anterior governo falhou” e defendendo que no novo modelo “cabe ao poder político o papel de definir estratégias e políticas que salvaguardem a função de serviço público”.

Em segundo lugar, é proposto no documento que passe a caber à AR, mediante parecer vinculativo do Conselho de Opinião, a escolha do Presidente do Conselho de Administração da RTP, “órgão que volta a ser constituído por cinco elementos”. Neste modelo, caberá aos trabalhadores indicarem um representante para o conselho de administração, sendo os restantes membros escolhidos pela assembleia geral da empresa, sob proposta do presidente.

Em terceiro lugar, o Bloco propõe que a escolha da administração da RTP esteja “vinculada a um Programa Estratégico de Serviço Público”. “A vinculação da Administração a opções estratégicas sobre a empresa é o único instrumento que permite ao Estado preservar a função de serviço público e, simultaneamente, fortalecer a independência da RTP. A autonomia só é possível se estiver garantida a responsabilização de quem a detém”, sublinha-se no documento.

Bloco quer debate do contrato de concessão na AR

O Bloco requer ainda que a ministra da Cultura, o conselho de administração da RTP, o presidente do Conselho de Opinião e os Provedores vão à AR prestar esclarecimentos sobre o contrato de concessão numa audição conjunta das comissões de Cultura, comunicação, juventude e desporto e de Assuntos Constitucionais, Direitos, Liberdades e Garantias.

Na entrevista dada pela coordenadora do Bloco à Antena Um, Catarina Martins critica o conselho de administração da RTP pela incapacidade de resolver os problemas da empresa, sublinhando que “a RTP não está a cumprir a lei no que respeita à regularização de precários e às obrigações de serviço público”.