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RTP: comissão de trabalhadores exige demissão da administração no caso FPF

Memorando entre a RTP e a FPF, debatido ontem no parlamento e cancelado pela FPF ainda durante o debate, levou a comissão de trabalhadores da empresa a exigir a demissão da administração e também do conselho geral independente, que acusa de "falhanço total do seu papel enquanto supervisor".
Foto de Paulete Matos.
Foto de Paulete Matos.

O caso do memorando entre a RTP e a Federação Portuguesa de Futebol (FPF) levou a comissão de trabalhadores da televisão pública a reclamar demissões nas chefias. Ontem no parlamento, recorde-se, Catarina Martins confrontou o primeiro-ministro com o caso, que se disse perplexo com ele, e o memorando acabou cancelado pela FPF ainda enquanto decorria o debate.

O polémico memorando, assinado entre a administração da RTP e a FPF, comprometia a televisão pública a disponibilizar meios do seu arquivo, instalações e funcionários para o lançamento de um canal televisivo da FPF. O documento foi entretanto divulgado na íntegra junto com um comunicado da comissão de trabalhadores da RTP, que lhe faz fortes críticas e reclama a demissão da direção e do órgão de supervisão.

O comunicado da CT revela mais detalhes sobre o conteúdo do memorando: permutava imagens do Arquivo da RTP que normalmente custariam milhões de euros em troca de programas da FPF que não era possível valorar, permitia a cedência de trabalhadores da RTP à FPF, cedia as instalações do Centro de Produção do Norte para o funcionamento de um canal privado, entre outros pormenores.

Para os trabalhadores da RTP, este memorando revela "uma completa falta de noção do que é, e para que serve, um serviço público de rádio e televisão", e "dificilmente passaria por um órgão de supervisão de um canal privado, quanto mais de uma empresa pública". No entanto, foi isso que sucedeu: a CT afirma que um mail de 16 de janeiro confirma que tanto o Conselho de Administração como o Conselho Geral Independente da RTP estavam ao corrente do mesmo.

Por essas razões, a CT da RTP reclama a demissão do Conselho de Administração da empresa, mas também do seu Conselho Geral Independente, que demonstrou um "falhanço total do seu papel enquanto supervisor". O documento questiona se "não era para evitar isto que foi instituído o CGI", bem como para que serve um modelo de gestão supostamente "para afastar interesses governamentais mas [que] deixa entrar todos os outros", nomeadamente os "interesses comerciais em torno dos milhões da grelha da RTP, quem os controla?".

Para além disso, os trabalhadores da televisão pública colocam uma série de questões sobre as relações entre futebol e media: que significado tem "o manto de silêncio e até spinning" que outros órgãos de informação dedicaram ao caso, que já conheciam há semanas, e se "não é precisamente para contrabalançar estes interesses, políticos e comerciais" em torno do futebol "que também existe o serviço público?".

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