A greve de sete dias na RTP iniciou-se neste sábado. Os trabalhadores reivindicam aumentos salariais e progressão nas carreiras. Em entrevista à Lusa, Nelson Silva, dirigente do Sindicato Nacional dos Trabalhadores das Telecomunicações e Audiovisuais, denunciou que a empresa “está a usar os precários que tem para dobrar equipas” nos postos em que a paralisação de um trabalhador poderia levar ao cancelamento de algum programa.
O dirigente sindical contesta o argumento da RTP de que esta “não tem dinheiro” apesar de existirem “419 pessoas a ganharem mais de cinco mil euros brutos” e da empresa ter nomeado há pouco tempo ainda mais dirigentes. A crítica vai também no sentido da falta de transparência já que a administração se escuda na “proteção de dados” para não tornar público os salários de gestores e diretores. Nelson Silva contrasta isso com o que sucede na BBC que tem publicadas na sua página informações sobre informação salarial, gastos e declaração de interesses.
Os trabalhadores explicam que há centenas a trabalhar em funções que deveriam ser pagas com salários mais elevados e que a RTP tem um processo de reenquadramento de trabalhadores mas apenas envolve 50 trabalhadores, sendo tratado como se fosse uma promoção.
Se as suas exigências não forem atendidas, prometem renovar a greve semanalmente porque “estão fartos de empobrecer”.
Para além deste processo de luta, está a decorrer simultaneamente, desde o passado dia 5, uma greve, também convocada pelo Sinttav, às horas extraordinárias. Segundo o dirigente sindical, esta já levou ao cancelamento de várias emissões do programa Manchetes e uma outra do 24 horas, emitidos pela RTP3.