Em comunicado, o Sindicato Nacional dos Trabalhadores das Telecomunicações de Portugal (SINTTAV) anuncia a entrega de um pré-aviso de greve à administração da RTP, com início às 0h de 14 de outubro e fim às 23h59 de dia 20 de outubro. Os trabalhadores da rádio e televisão pública dizem-se "fartos de empobrecer", ao verem que desde a fusão da RTP com a RDP em 2005 perderam "85% do valor dos nossos salários" e que no próximo ano, pela primeira vez, o primeiro nível da tabela salarial da empresa (805,50) será inferior ao salário mínimo, que nessa altura será de 820 euros.
Com o valor do salário a diminuir e sem acesso a promoções, os trabalhadores estão também fartos de "ter que trabalhar horas e horas extras, até à exaustão, em exteriores para ganhar o que chega para pagar pela inflação que não pára de subir e pela hipoteca que dobrou de preço". Ou dos "hipócritas" que dizem a um precário "que ainda não é este ano que pode estabilizar a sua vida e entrar para os quadros, porque a empresa está completamente proibida de contratar, e ver dias depois o Conselho de Administração criar Direções inexistentes ou pedir autorização especial a um ministro para contratar nova(s) diretora(s)".
O comunicado inclui mais razões que levam os trabalhadores da RTP a esta greve, como o valor do subsídio de refeição "que não cobre o preço de uma sandes, quanto mais um almoço/jantar", os salários mais baixos para quem trabalha no Porto, na Madeira ou nos Açores, os "livros brancos, verdes, azuis" que surgem com cada ministro que assume a pasta e "seis meses depois é atirado para o lixo" ou os "esquemas" dos "subsídios secretos" como o "chamado “Subsídio de Disponibilidade” em que o Conselho de Administração decide, numa reunião confidencial, atribuir a alguém um extra de 45% do seu vencimento... Por aparecer para trabalhar!"
Com esta greve, o SINTTAV pretende que a administração se sente à mesa para resolver estas questões, "de uma vez, sem truques, sem cortinas de fumo e sem empurrar os problemas com a barriga". Caso isso não aconteça, o pré-aviso será renovado semanalmente e cada trabalhador é livre de escolher o momento para o fazer. "Ou seja, ou existe redundância ou tudo, pode acontecer a qualquer momento, seja régie de informação da sede, na rádio, nas centrais técnicas, no áudio do Porto, nos exteriores, nos Açores ou na Madeira...tudo ao mesmo tempo, em qualquer lugar", explica o sindicato, concluindo que "agora é tempo de serem eles a perder o sono, porque nós… Estamos Fartos Disto Tudo!".