Está aqui

“A riqueza de Isabel dos Santos vem da espoliação do povo angolano”

Esta quinta-feira, em entrevista à TVI 24, Jorge Costa teceu duras críticas à forma como o centro da economia portuguesa se fez parceiro de negócios com a filha do presidente de Angola, cuja riqueza vinha da espoliação do povo do país.

Jorge Costa é um dos autores do livro “Os donos angolanos de Portugal”, publicado em 2014 e assinado também por Francisco Louçã e João Teixeira Lopes.

Na altura em que o livro foi escrito, Isabel dos Santos já tinha em Portugal os ativos que hoje mantém e uma fortuna avaliada em três mil milhões de euros, metade da qual se devia aos negócios que tinha em Portugal, com quotas na Galp, no BPI, no BIC e na NOS. Ainda estava no BPI (deixou de estar, entretanto) e veio a controlar a Efacec, uma das principais empresas tecnológicas em Portugal.

O deputado do Bloco, referindo-se à recente polémica com Isabel dos Santos, afirmou que, neste momento, num cenário em que “os consultores são apenas os empregados de Isabel dos Santos”, o que interessa é saber com que alianças é que Isabel dos Santos pôde construir o império que construiu em Portugal.

Jorge Costa sublinhou os investimentos feitos em associação aos grandes grupos económicos portugueses, como o Amorim ou a Sonae. “O centro da economia portuguesa tornou-se parceiro de negócio com a filha do presidente de Angola, cuja riqueza vinha da espoliação do povo angolano”, afirmou.

Referindo casos como os dos ex-ministros dos Negócios Estrangeiros António Monteiro ou Martins da Cruz, que saíram do ministério para empresas dominadas pelo capital angolano, o deputado do Bloco afirmou que o entusiasmo destes governantes com a economia angolana tinha que ver com interesses directos.

Assim, a prosmiscuidade de todo o caso é não apenas a que ocorre em Angola com a captura de uma parte da riqueza nacional pela família do presidente, mas também a que existe nos negócios que essa elite angolana vem fazer com os negócios portugueses e na contratação de governantes.

Será ainda de referir que Angola é um dos países mais pobres do mundo, com taxas de morte infantil altíssimas, também porque faltam as infraestruturas necessárias. Ou seja, como consequência da espoliação do povo angolano por parte do governo, o primeiro, pela pobreza extrema a que tem sido condenado a viver, está a ser penalizado por todo este processo.

Uma boa parte dos ativos de Isabel dos Santos é estratégica em Portugal, razão pela qual Jorge Costa defende que o país tem de salvaguardar a sua permanência. Sendo empresas estratégicas, deviam ser públicas, propriedade do Estado, afirma, sublinhando que estas devem estar sob controlo público, com quotas de controlo público, ao serviço de políticas democraticamente sufragadas e que sejam determinadas pelo povo português.

Assim, no seu entender, algumas destas empresas deviam ser recuperadas por Portugal, de forma acordada com Angola, já que “este dinheiro veio da riqueza do petróleo angolano, que pertence ao povo de Angola”.

O caminho será então, no seu entender, um diálogo transparente e focado no interesse público entre o Estado português e o Estado de Angola, já que há interesses diferentes: o do povo angolano de recuperar a riqueza roubada pela elite e o interesse português de recuperar o controlo de empresas que deviam ser públicas.

Termos relacionados Política
(...)