Palestina

Reino Unido alimenta o genocídio em Gaza com armas

12 de junho 2024 - 10:21

Há 345 licenças de venda de armas ativas no Reino Unido, mais de cem emitidas desde outubro. Organizações como a Amnistia Internacional e a Human Rights Watch vão a tribunal tentar travar este comércio da morte.

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Ação contra a venda de armas do Reino Unido a Israel.
Ação contra a venda de armas do Reino Unido a Israel. Foto de Campaign Against Arms Trade

O governo do Reino Unido emitiu mais de 108 licenças de exportação de armas para Israel desde 7 de outubro e até ao final do mês de maio. Somadas às já existentes, estavam ativas naquele conjunto de países 345 licenças deste tipo. Os dados foram divulgados pelo gabinete de Alan Mak, sub-secretário de Estado da Indústria e Segurança Económica.

Das licenças emitidas depois do início do genocídio, 37 estavam descritas diretamente como sendo militares e 63 como não-militares, mas estas podem incluir, por exemplo, material de telecomunicações para as Forças Armadas israelitas, entre outros bens utilizados na guerra, e oito foram categorizadas como “licenças abertas”.

Isto significa que nenhuma das licenças pedidas foi rejeitada nem nenhuma das existentes foi revogada.

Ao Guardian, Emily Apple, da Campanha contra o Comércio de Armas, critica a opacidade dos dados que não revelam o valor de cada licença nem a categoria de armas exportadas, nem sequer identificam a identidade do vendedor das armas.

Apesar de vários apelos nesse sentido, o governo britânico continua a rejeitar suspender a venda de armas. Recorde-se que um dos critérios oficiais para decidir uma suspensão é o “perigo de quebrar a lei humanitária internacional”.

Entretanto, a Aministia Internacional e a Human Rights Watch decidiram juntar-se ao caso judicial contra o Governo britânico que foi apresentado pela Global Legal Action Network e pelo Al-Haq, um grupo de defesa dos direitos humanos palestiniano.

Sacha Deshmukh, da Amnistia Internacional do Reino Unido, explica que as organizações apoiam este “caso importante” devido à “recusa do Reino Unido de cumprir as suas obrigações legais internacionais e suspender as transferências de armas para Israel”. E acrescenta: “Há uma montanha de provas que mostram que as forças israelitas estão a cometer crimes de guerra em cima de crimes de guerra em Gaza, desde muito antes do último outubro”.