José Manuel Pureza acompanhou autarcas do Bloco e moradores das casas da ilha na rua das Antas, que há anos desesperam ante o risco de perder das casas. Depois de concorrerem ao plano de reabilitação da sua ilha e serem realojados, o IHRU atrasou os pagamentos e o empreiteiro parou a obra para não mais regressar. O atraso implica a perda do financiamento a 100% do PRR e a empresa municipal Porto Vivo SRU não acionou a ferramenta que permite aos municípios assumirem a posição contratual dos proprietários para que o investimento público seja protegido e agilizado, ao contrário do que se passou noutros municípios.
Neste momento, constatou o coordenador do Bloco, os moradores “estão com uma angústia brutal porque correm o risco de a qualquer momento perderem a sua habitação e não terem para onde ir” por exclusiva responsabilidade de um “incumprimento de todos os prazos por parte dos poderes municipais”.
“Nós estamos na fronteira entre uma ilha e um empreendimento imobiliário de grande dimensão, ou de dimensão razoável. Qualquer pessoa com um mínimo de atenção olha à volta e percebe exatamente o que é que está a acontecer”, prosseguiu José Manuel Pureza, no final de uma visita feita com o objetivo de “combater o silêncio público, a falta de atenção pública a que estas pessoas estão votadas”.
O Bloco já tinha apresentado iniciativas na Assembleia Municipal do Porto e na Assembleia da República, mas também junto das entidades europeias, “na exata medida em que está aqui em causa também o uso de fundos comunitários”. “Queremos que se cumpra a lei. É tão simples quanto isso, cumprir a lei. E estas pessoas devem ser protegidas”, defendeu.
Seguro devia antes “pressionar o Governo para que abandonasse esta proposta”
Questionado pelos jornalistas sobre o destino do pacote laboral, José Manuel Pureza diz ver com “muita perplexidade que o Presidente da República tenha convocado para amanhã uma reunião com os parceiros sociais que mais não é do que uma reunião de pressão evidente sobre uma das centrais sindicais”.
“Aquilo que um Presidente da República neste contexto devia fazer era pressionar sim, mas pressionar o Governo para que abandonasse esta proposta, que é uma proposta inaceitável e que não tem nenhuma justificação económica, não tem nenhuma justificação social”, contrapôs.
Para o coordenador do Bloco, “retirar rendimento aos trabalhadores no exato momento em que o custo de vida está a explodir é totalmente inaceitável”. E a perspetiva de haver um acordo “entre o Governo, as direitas e a extrema-direita mostra exatamente qual é o cunho deste pacote laboral”, concluiu.