Irão

Realizadores de cinema condenados por “divulgar informações falsas” e “produzir conteúdo obsceno”

10 de abril 2025 - 10:16

O Meu Bolo Favorito é um filme que relata a vida e as necessidades românticas de uma mulher iraniana mais velha. Realizadora e realizador do filme foram condenados a prisão pelo conteúdo do filme, mas acabaram com pena suspensa de cinco anos.

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Maryam Moghaddam e Behtash Sanaeeha
Maryam Moghaddam e Behtash Sanaeeha. Fotografia via Berlinale.

Maryam Moghaddam e Behtash Sanaeeha, realizadores do filme O Meu Bolo Favorito, foram condenados a pena de prisão por um tribunal iraniano. Segundo a condenação, são culpados de fazer propaganda contra a República Islâmica e de produzir conteúdos obscenos.

Os realizadores deveriam cumprir penas de 12 e 14 menses em duas sentenças diferentes, mas ficaram com pena suspensa durante cinco anos. Ou seja, não cumprirão tempo na prisão mas não podem cometer mais nenhum “crime” durante esse período.

A Lusa avança que os realizadores foram condenados pela 26.ª Câmara do Tribunal Revolucionário de Teerão a 14 meses de prisão e a pagar uma multa de 400 milhões de riais (aproximadamente 347 euros) por “divulgar informações falsas com a intenção de perturbar a opinião pública”.

Na outra sentença, relativa à produção de “conteúdo obsceno”, foram condenados a 12 meses e o seu equipamento técnico foi confiscado. Essa sentença recaiu também sobre o produtor do filme, Gholamreza Mousavi. Além disso, os realizadores foram condenados a pagar uma multa de 200 milhões de riais (173 euros) por distribuir e exibir o filme sem licença oficial.

O filme em questão, “O Meu Bolo Favorito”, relata a vida e as necessidades românticas de uma mulher iraniana mais velha. Moghaddam e Sanaeeha foram impedidos de sair do Irão e virão os seus passaportes confiscados enquanto se preparavam para viajar para a Suécia, para visitar familiares e apresentar o filme.

Os dois realizadores não são os primeiros a serem condenados a prisão no Irão. Jafar Panahi, um conhecido realizador iraniano e vencedor de vários prémios, foi preso em 2010 e esteve detido durante 88 dias. A sua casa foi revistada e a sua coleção de filmes foi também marcada como “obscena”. Nesse caso, Panahi foi também acusado de “conluio com a intenção de cometer crimes contra a segurança nacional do país e propaganda contra a República Islâmica a segurança nacional do país e propaganda contra a República Islâmica”.

Neste momento o realizador pode circular livremente dentro do Irão, mas não pode sair do país à exceção de necessidade de tratamento médico ou de peregrinação a Mecca. Panahi está proibido de realizar filmes, escrever guiões, dar entrevistas ou sair do país durante 20 anos.