Quem falhou aqui foi o fundo": Galinha descarta responsabilidades

09 de janeiro 2024 - 19:21

Na audição com os deputados sobre a crise na Global Media, Marco Galinha não identificou quem está por detrás do fundo a quem vendeu a participação maioritária no grupo de comunicação. Ex-assessor de Sócrates ameaça processar deputados do Bloco que o chamaram à comissão e diz que não irá ao Parlamento.

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Marco Galinha na comissão parlamentar desta terça-feira.
Marco Galinha na comissão parlamentar desta terça-feira. Imagem Canal Parlamento

A comissão parlamentar da Cultura, Comunicação, Juventude e Desporto ouviu esta terça-feira o empresário Marco Galinha, antigo administrador da Global Media que vendeu a sua participação no controlo do grupo a um fundo sediado nas Bahamas. Perante as questões dos deputados para tentarem perceber quem é o verdadeiro dono daquele veículo financeiro com quem fechou o negócio, Galinha disse ter negociado através dos representantes legais do fundo, referindo apenas o nome de José Leitão, sócio de um escritório de advogados de Macau. E garantiu não ter qualquer participação neste World Opportunity Fund.

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Global Media: uma história muito mal contada

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Quanto ao descalabro financeiro anunciado pela atual gestão da Global Media para não pagar salários aos trabalhadores e querer despedir entre 150 a 200 pessoas, Marco Galinha afirmou a sua "perplexidade", tendo garantido que investiu 16 milhões de euros no grupo, reduziu a sua dívida bancária e que não percebe as razões que levam a nova administração a não cumprir os seus compromissos. E afirmou-se surpreendido com a escolha de José Paulo Fafe por parte dos novos acionistas para o suceder no cargo de liderança. Quando questionado pela deputada bloquista Joana Mortágua sobre a razão para ter vendido o título "Tal & Qual" ao mesmo José Paulo Fafe, que há anos devia à Global Media 150 mil euros num processo que chegou a tribunal, Galinha justificou o negócio como uma forma de recuperar algum desse dinheiro. Esta foi apenas uma das dezenas de questões colocadas por Joana Mortágua, com a maioria a ficarem sem resposta.

Luís Bernardo ameaça processar quem o associa aos tempos de assessor de José Sócrates

Na sequência da audição da semana passada do antigo diretor da TSF Domingos Andrade, que referiu as ligações entre um dos novos administradores, Paulo Lima Carvalho, a uma empresa de Luís Bernardo, o consultor de comunicação que assessorava o então primeiro-ministro José Sócrates, o Bloco propôs a audição dos dois na comissão, o que foi aprovado por unanimidade.

A resposta de Luís Bernardo surgiu esta terça-feira em carta enviada ao presidente da comissão, dizendo estar "em trânsito entre viagens" e alegando a "impossibilidade de agenda para realizar essa audição face ao término da atual legislatura" para não comparecer ao encontro com os deputados. Bernardo diz que o seu nome foi referido "de forma forçada e artificial" na comissão e que Paulo Lima Carvalho foi convidado para a administração pelo acionista Marco Galinha, que na sua audição afirmou ter falado com ele apenas uma ou duas vezes.

Luís Bernardo admite que a sua empresa foi convidada pela atual administração para prestar serviços de consultadoria e apresentar um "plano estratégico" para o grupo, e termina a carta a ameaçar a deputada bloquista Joana Mortágua com um processo por ela referir a sua ligação a José Sócrates. À TSF, o ex-assessor de Sócrates, que recorda também ter trabalhado nos gabinetes de António Guterres, Manuel Maria Carrilho e Pedro Silva Pereira, estendeu a ameaça de processo ao líder parlamentar bloquista Pedro Filipe Soares pela mesma referência num artigo sobre a Global Media publicado esta segunda-feira no Diário de Notícias.