No início de janeiro, a administração da Global Media Group justificou a ausência do pagamento dos salários em atraso e do subsídio de natal devido a uma “incompreensível postura do Banco Atlântico Europa”, que alegadamente lhe teria vedado o acesso à conta bancária por causa das notícias sobre as dificuldades do grupo.
Esta segunda-feira, o Bloco de Esquerda dirigiu um requerimento ao Banco de Portugal para confirmar se é esse o caso e, caso se confirmem aquelas acusações, qual o fundamento legal para que o acesso à conta tenha sido vedado.
No mesmo dia, o Conselho de Redação da TSF enviou uma carta à presidente da Entidade Reguladora para a Comunicação Social (ERC), Helena Sousa, a denunciar o perigo da ingerência da administração na área editorial e alertando para "aquilo que indicia que possa vir a suceder" quando for nomeada nova direção.
Nesta carta citada pela agência Lusa, o Conselho de Redação da TSF recorda que soube na reunião de 22 de dezembro com a diretora de informação demissionária, Rosália Amorim, que "todos os programas com participação de colaboradores externos à TSF seriam suspensos", o que se trata de uma decisão "de cunho editorial" que não pode ser tomada pela administração e assim "colide frontalmente com todos os princípios pelos quais um órgão de comunicação social deve reger-se numa sociedade democrática". A diretora demissionária afirmou nessa reunião que discordara da suspensão daqueles programas "por uma questão de princípio e liberdade e, segundo, pelo contexto editorial de atualidade política e económica que o país vive".
Com todos os espaços de opinião, comentário e análise política diária suspensos, há um "esvaziamento total de espaços que são uma imagem de marca da TSF", o que para a redação da rádio representa uma "linha vermelha que foi ultrapassada" e faz temer "o que possa vir a suceder quando e se for nomeada uma nova direção editorial".
Outra preocupação dos jornalistas da TSF continua a ser "o facto de não ser ainda devidamente conhecida a cadeia de proprietários da Global Media Group, sendo desconhecida a titularidade do World Opportunity Fund". Perante estas dúvidas em torno do negócio da venda da participação de Marco Galinha na empresa que controla o Global Media Group, levantadas igualmente na comissão parlamentar que tem promovido várias audições sobre a crise que atravessa o grupo que detém o Jornal de Notícias, Diário de Notícias, O Jogo, TSF e outros títulos da imprensa portuguesa, a ERC fez saber esta segunda-feira que neste momento "não presta informações adicionais" sobre as diligências que tem feito sobre as obrigações de transparência da titularidade da Global Media. Em última análise, a ERC tem o poder para suspender os direitos de voto e de exercício de direitos patrimoniais, caso entenda que há incumprimento dos deveres de transparência quanto à titularidade do fundo que entrou no capital da Global Media.