Joana Mortágua considerou esta quinta-feira a situação na Global Media como “gravíssima” com “trabalhadores sem receber salários, trabalhadores que já foram despedidos, outros ameaçados de despedimento”. No total são “centenas de trabalhadores numa das maiores empresas com os maiores títulos de comunicação social deste país, imprescindível para a democracia e para a pluralidade da informação”.
Assim, a deputada do Bloco diz que “é importante perceber o que é que está a acontecer com a Global Media e se associado a estes problemas financeiros existiu ou não uma descapitalização da empresa e até que ponto é que esses problemas financeiros estão ligados com a entrada de um fundo estrangeiro desconhecido com sede nas Bahamas”. Aliás, “é inaceitável que contra todas as regras de transparência da propriedade da comunicação social, haja um fundo desconhecido com sede num offshore que tome a maioria do capital de uma empresa como a Global Media, dona da TSF, do DN, do JN, do Açoriano Oriental, do Jogo e de tantos outros títulos”.
O Bloco tem “tentado descobrir a quem pertence e o que é que esse fundo pretende” e as audições de hoje em que foi ouvido o ex-diretor da TSF, Domingos de Andrade, “deram a entender que, ao contrário do que pensávamos - que José Paulo Fafe estaria à frente deste fundo enquanto gestor, sendo ele o CEO - há um outro administrador chamado Lima de Carvalho, que teve um papel determinante”.
Soube-se ainda que este “terá ligações a Luís Bernardo, ex-assessor de Sócrates e que só por aqui podemos ver, de que nada do que estamos a descobrir se avizinha menos do que o que parece ser mais um jogo de gangsters a acontecer na entrada do capital de empresas deste país”, prosseguiu a deputada. Este último está ligado a Lima de Carvalho através de “empresas de comunicação com contratos com Câmaras Municipais”.
O Bloco pensa que estas figuras deveriam vir ao Parlamento “prestar esclarecimentos”, ao contrário do que se passou com José Paulo Fafe, que arranjou “desculpas que a própria Comissão considerou inaceitáveis para não vir ao Parlamento”. Mas na sequência das audições desta semana aos ex-diretores dos órgãos de comunicação, Fafe escreveu à Comissão a dizer que mudou de ideias e passou a estar disponível para ser ouvido pelos deputados, como tinha sido requerido pelo Bloco de Esquerda.