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Qualidade do ar na Avenida da Liberdade bateu recorde com a redução do tráfego

A estação de monitorização da Avenida da Liberdade, que sempre registou os piores valores do país, bateu três recordes de qualidade do ar desde o início do estado de alerta.
Vista geral de Lisboa com a Avenida da Liberdade em destaque. Fotografia por Alexander Svensson/Flirck

A associação ambiental ZERO emitiu um comunicado que destaca a melhoria na qualidade do ar na Avenida da Liberdade, em tempos conhecida como a avenida mais poluída do país. Desde o início do estado de alerta, os valores monitorizados naquela artéria da capital atingiu os valores mais baixos de poluição atmosféricas desde o início do século.

A Avenida da Liberdade é o local do país onde se tem observados os piores valores de concentração de alguns poluentes, em particular de dióxido de azoto. Mas após a forte redução no tráfego rodoviário no centro da capital, resultado das medidas de contenção associadas à Covid-19, foram observadas 3 quedas recorde nos níveis de poluição importantes de registar.

A primeira destacada é a “concentração média de dióxido de azoto (NO2) dos dias úteis do último mês desde o início do estado de alerta que depois passou a estado de emergência (16 de março a 9 de abril), foi a menor verificada neste século à escala mensal (25,9 mg/m3)”.

De seguida, o comunicado destaca que “a concentração média dióxido de azoto (NO2) dos dias úteis da última semana (6 a 9 de abril) foi a mais reduzida à escala semanal desde que foi instituído o estado de alerta (20,5 mg/m3)”.

Por fim, a ZERO aponta que “as concentrações médias de dióxido de azoto (NO2) dos dias úteis das últimas quinzenas desde que foi instituído o estado de alerta foram as mais reduzidas desde janeiro de 2019”.

A asociação ambientalista indica que este gás é consequência direta dos processos de combustão que ocorrem nos veículos motorizados, acrescentando que os veículos a gasóleo emitem maiores taxas de emissão comparativamente com os veículos a gasolina. Este é “um excelente indicador da poluição associada à atividade humana”, sendo usado por “diversas entidades e universidades à escala mundial para avaliar o impacte positivo da quebra da atividade económica e da mobilidade na qualidade do ar por contraponto às consequências dramáticas da pandemia”.

É habitual que os valores observados para a Avenida de Liberdade encontrem-se bem acima do permitido por lei. Por exemplo, o valor médio de dióxido de azoto em 2019 foi de 54,6 mg/m3, enquanto o valor-limite anual é de 40 mg/m3. Por isso, os valores agora registados encontram-se muito abaixo do limite, sendo que comparando com o ano de 2019 e para a semana de 6 a 9 de abril de 2020, observase uma redução média nos dias úteis de 65%, pelo que recomenda que se “deve aprender com a crise”.

A ZERO refere ainda que estes valores permitem a melhoria na saúde pública de quem vive e trabalha no centro de lisboa, apelando para a implementação de “forma justa e progressiva um conjunto de medidas que consigam no futuro garantir o cumprimento da legislação e melhorem a qualidade de vida numa das áreas mais nobres da cidade”. Por isso, a “nova Zona de Emissões Reduzidas prevista pela Câmara Municipal de Lisboa é um elemento essencial num futuro próximo e logo que possível, a par de outras medidas que permitam assegurar um Bom Ar”, refere a ZERO.

Redução da poluição é um fenómeno global em tempo de pandemia

Este é um fenómeno incialmente relatado na China, tendo sido primeiramente observado na província de Wuhan e que posteriormente se espalhou pelo país. Embora existam outros fatores culturais associados, a análise dos dados climáticos dos anos anteriores indica que o mecanismo forçador para esta alteração na qualidade do ar resulta da contração económica que o país sofreu, devido às restrições impostas para diminuir a propagação da Covid-19. Este fenómeno posteriormente observou-se à escala global, sendo que a Europa também sentiu a forte redução na concentração do Dióxido de Zoto (NO2), como resultado das medidas de quarenta que foram sendo declaradas pelos países europeus.

Em Portugal também se sentiu este fenómeno de forma generalizada, para além da Avenida da Liberdade. Após a implementação das medidas de contenção à propagação do vírus SARS-COV-2, o fenómeno de redução de gases de poluição atmosférica pode observar-se de norte a sul do país.

Apesar da redução drástica nos níveis de concentração nos gases associados à poluição atmosférica trazer sempre aspetos positivos, esta não tem qualquer impacto na diminuição no processo de alteração climática que decorre no presente, indicam os especialistas.

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