Presidenciais

“O Governo não pode deixar os trabalhadores da Bosch sozinhos”

07 de novembro 2025 - 19:17

Catarina Martins reuniu com trabalhadores em lay-off da Bosch em Braga e defendeu que se o Estado paga à multinacional para criar empregos no país, tem de intervir para não deixar que sejam os trabalhadores a pagar a conta da crise no negócio.

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Catarina Martins com trabalhadores da Bosch
Catarina Martins com trabalhadores da Bosch. Foto de Bruno Moreira

Mais de 2.500 trabalhadores da Bosch estão em regime de lay-off e Catarina Martins foi ao encontro dos seus representantes esta sexta-feira em Braga. A empresa anunciou a suspensão da produção, justificando-a com a quebra no fornecimento de chips da Nexperia. Esta empresa com maioria de capital chinês e sede nos Países Baixos foi nacionalizada pelo governo neerlandês por pressão dos EUA. Em resposta, as fábricas na China deixaram de enviar os chips de que boa parte da indústria de componentes automóveis depende para fabricar os seus produtos.

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À saída do encontro, Catarina Martins disse aos jornalistas que esta situação levanta duas grandes preocupações. A primeira tem a ver com a ausência de uma estratégia clara da União Europeia para lidar com as grandes transformações tecnológicas do setor automóvel, com avanços e recuos que agravam a crise e ameaçam empregos, ao mesmo tempo que é subserviente aos interesses dos EUA. Mas também apontou responsabilidades às multinacionais como a Bosch que têm uma estratégia “irresponsável” de gestão de stocks “e qualquer pequeno abanão internacional faz com que mandem trabalhadores para lay-off ou façam despedimentos”.

Essa política de stocks permite-lhes “o máximo lucro porque sabem que quando há alguma interrupção, alguma pequena interrupção de fornecimento, quem paga são os trabalhadores, e isso não pode ser, prosseguiu.

A segunda preocupação tem a ver com o papel do Estado português, que paga incentivos à Bosch pra manter postos de trabalho em Portugal e por essa razão “não devia deixar os trabalhadores sozinhos em negociações muito difíceis com a empresa, que acabam sempre com os trabalhadores a perder”.

“Se nós pagamos, todos nós, enquanto país, para que a Bosch mantenha aqui postos de trabalho, depois temos que exigir que esses postos de trabalho sejam efetivamente mantidos”, defendeu Catarina, concluindo que a função de uma Presidente da República “é seguramente dizer que quando o dinheiro de todos nós paga a uma multinacional para ter empregos em Portugal, o governo português não pode deixar os trabalhadores sozinhos quando a empresa não cumpre”.

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