Em comunicado, a coordenação concelhia do Bloco de Esquerda de Sintra manifesta o seu repúdio com o acordo estabelecido entre o PSD e o Chega em Sintra, que garante a entrada da extrema direita para o Executivo Municipal do segundo maior município do país.
“Ao escolher governar com o Chega, Marco Almeida e o PSD não só contradizem o “não é não” que o PSD andou a apregoar, traindo a confiança de quem votou na coligação PSD-IL-PAN para evitar a vitória da extrema direita, como confirmam a deriva ideológica de um projeto político disposto a abdicar de princípios democráticos em nome do poder”, acusam os bloquistas sintrenses.
O comunicado também não poupa críticas à Iniciava Liberal, por saber desde antes das eleições da abertura de Marco Almeida para integrar o Chega no executivo da Câmara Municipal de Sintra, e vir agora “tentar salvar a face à pressa, retirando a confiança política à sua cabeça de lista” que aceitou estar ao lado da extrema-direita.
Para o Bloco/Sintra, a entrada da extrema-direita na governação local “não é um detalhe nem um acaso — é uma escolha consciente que normaliza o discurso do ódio, da exclusão e da xenofobia”. Refere ainda que não surpreende que a cabeça de lista do Chega, Rita Matias, tenha preferido “manter-se no conforto do Parlamento, acumulando funções e protagonismo político”, em vez de assumir as responsabilidades de um pelouro. “Sintra merece mais do que vereadoras-fantasma ao serviço da propaganda e do extremismo”, aponta.
Marido da vereadora liberal nomeado para gerir os SMAS de Sintra
O Bloco/Sintra acrescenta que “a promiscuidade política não se fica por aqui” e considera “inaceitável que a gestão dos Serviços Municipalizados de Água e Saneamento (SMAS) seja entregue ao marido da vereadora eleita pela IL”, acusando-a de fazer da autarquia, em conjunto com o PSD, “uma extensão das suas redes de influência e favores, transformando cargos públicos em espaços de conivência partidária”.
Mais do que a simples composição de um executivo, para o Bloco/Sintra “está em causa o futuro democrático do concelho”, os “valores fundamentais de igualdade, solidariedade e respeito pela diversidade” e “a defesa dos serviços públicos”. O partido promete continuar a lutar “lado a lado com a população, para travar cada tentativa de instrumentalizar o poder local e para defender um concelho livre, solidário e justo — onde ninguém seja deixado para trás e onde os direitos humanos valem mais do que os arranjos políticos de conveniência”.