Depois da reunião com o governo, na qual o ministro das Finanças apresentou as linhas principais da proposta de Orçamento do Estado para 2024, Pedro Filipe Soares reagiu classificando-a como sendo de “insensibilidade social”.
Para o líder parlamentar bloquista, o excedente orçamental que vai existir este ano deveria reforçar as medidas sociais “num momento tão difícil”. Do ouvido, conclui “que não se espera que o próximo orçamento de Estado tenha um virar de página nesta realidade”.
O Bloco pensa que o governo de maioria absoluta do Partido Socialista tem como prioridade “ser o cobrador do fraque” e “não está a fazer tudo o que podia para ajudar as pessoas”, dando como exemplos a habitação, os serviços públicos e os salários.
Sobre a notícia de aumentos salariais para a Função Pública, vinca-se que foi abrir “um nadinha mais os cordões à bolsa” mas que isso “está longe de repor o poder de compra perdido, em particular nos salários médios da administração pública e no salário mínimo nacional”.
Num tipo de reunião em que “há muito tempo” não se apresenta à oposição nada de novo, nem um quadro macroeconómico que sustente a proposta, o que “mostra bem como a oposição é tratada neste tipo de reuniões”, a única “grande novidade” confirma “o óbvio”: “haverá um excedente orçamental no ano de 2023” como o Bloco já previa “há vários meses que iria acontecer”.
Ainda sob o signo do expectável, o executivo não apresentou “nenhuma proposta nova” para o setor da habitação no qual este “podia ir mais longe do que atualmente que tem feito” e “teima em não querer tetos às rendas que ponham fim às rendas especulativas”. O que acontece também no crédito à habitação por causa "por um lado das taxas de juro elevadíssimas", por outro "pelos preços praticados no mercado". Isto acontece porque António Costa “não quer mexer nos lucros milionários que a banca teve e meter a banca a ajudar as famílias neste momento tão difícil” mas seria preciso “mexer na especulação que está a dificultar o acesso à habitação”.
Prova de que as medidas governamentais são insuficientes encontra-as o deputado no facto de, depois da sua apresentação, ter havido "dezenas, centenas de milhares de pessoas que saíram às ruas dizendo o óbvio: não há acesso à habitação e o Governo não o está a promover, pelo contrário está ao lado daqueles que estão dificultando esse acesso".