Em declarações publicadas no jornal “Público” deste sábado, Lurdes Figueiral, presidente da Associação de Professores de Matemática (APM), considera que o resultado dos exames nacionais do 4º e 6º anos não refletem o estado do ensino da disciplina e defende que estes exames nunca deviam ter sido introduzidos.
Lurdes Figueiral afirma que estes exames “perturbam o trabalho dos professores nas salas de aula e alteram a avaliação dos alunos de uma forma não mais completa ou rigorosa”, referindo que “os professores estão a treinar para os exames, em vez de estarem a dotar os alunos de conhecimentos e capacidades importantes” .
A presidente da APM alerta que os exames do 4º e 6º anos introduzem elementos de segregação e seleção e critica a desadequação dessas provas a alunos tão novos.
Lembremos que o analista chefe da Direção da Educação e das Competências da OCDE, Paulo Santiago, fez declarações, no passado mês de maio, em sentido semelhante à posição da APM e às declarações da sua presidente. Paulo Santiago alertou então que os exames de 4º e 6º ano têm potencial de exclusão social e realçou o “potencial penalizante” para agravar o risco de reprovação e exclusão social.
Lurdes Figueiral critica também os exames deste ano, considerando que foram “desequilibrados” e tinham “demasiado cálculo”.
“Consideramos que as provas têm uma exagerada quantidade de cálculo, nomeadamente no 6º ano, onde 80% da prova avaliava cálculo. Mesmo quando os itens em questão não tinham que ver com cálculo, como em perguntas de escolha múltipla e de resposta direta, eram necessários vários passos de cálculo para se chegar ao resultado”, sublinha a presidente da APM.
Presidente da APM diz que “sujeitar alunos destes níveis de ensino a uma avaliação redutora e parcial introduz elementos de segregação para efeitos de seleção, muito precocemente” e está surpreendida por haver falta de indignação sobre os exames em alunos tão novos
Lurdes Figueiral critica também as alterações da política educativa introduzidas por Nuno Crato, realça que as consequências negativas desta política já se fazem sentir e considera que poderão ser ainda mais graves no futuro.
A presidente da APM diz que “sujeitar alunos destes níveis de ensino a uma avaliação redutora e parcial introduz elementos de segregação para efeitos de seleção, muito precocemente” e está surpreendida por haver falta de indignação sobre os exames em alunos tão novos.
Os exames nacionais no 4º ano foram introduzidos no ano letivo 2012/2013 e no 6º ano foram introduzidos no ano anterior. O jornal “Público” lembra que as notas dos exames de Matemática têm baixado: no 4º ano, a classificação média baixou de 56,9% para 56,1%; no 6.º ano a variação foi de 49% para 47,3% entre 2013 e 2014; no 2.º ciclo mais de metade dos alunos não chegou à positiva.
O Bloco de Esquerda defende o fim dos exames do 4º ano (ver notícia no esquerda.net) e considera que esses exames revelam o “modelo conservador, atrasado e recuado” que o Governo PSD/CDS-PP pretende para a escola pública.