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Preso político catalão teve de discursar ao lado da bandeira espanhola e foto do rei

Ao fim de 419 dias de silêncio imposto pelas autoridades judiciais, o cabeça de lista do partido que governa a Catalunha foi autorizado a falar publicamente. Numa mensagem em tom conciliatório, Jordi Sànchez afirmou ter certeza de que o PSOE aceitará o referendo “mais cedo ou mais tarde”.
Jordi Sànchez falou por videoconferência no cenário montado pela direção da prisão de Soto del Real.
Jordi Sànchez falou por videoconferência no cenário montado pela direção da prisão de Soto del Real. Imagem EFE

A conferência de imprensa de Jordi Sànchez, primeiro candidato da lista do Junts per Catalunya às eleições de 28 de abril, ficou marcada pelo cenário imposto pela direção da prisão de Soto del Real: uma bandeira espanhola e uma fotografia do monarca.

Como seria de esperar, choveram críticas à tentativa de humilhação do independentista, e houve mesmo quem apontasse a semelhança com a atitude do regime turco na campanha eleitoral em relação ao líder do HDP — partido maioritário nas zonas com forte presença da comunidade curda — Selahattin Demirtaş, também ele preso político.

Sánchez esteve proibido de falar em público e a única vez que o fez — com uma mensagem em audio na campanha para as eleições catalãs de dezembro de 2017 — o antigo presidente da Assembleia Nacional Catalã foi castigado com um mês de privação de passeios no pátio e proibição de receber visitas.

Desta vez, a Junta Eleitoral Central autorizou na noite de quarta-feira uma conferência de imprensa em videoconferência para o dia seguinte e Jordi Sànchez pôde responder a questões dos jornalistas. O candidato afirmou-se seguro que o líder do PSOE “mais tade ou mais cedo aceitará a nossa proposta” para a realização de um referendo na Catalunha.

Jordi Sànchez defendeu que o mandato do referendo de 1 de outubro, pelo qual está a ser julgado em Madrid, “está vivo, apesar da atuação do Estado o ter tornado inviável”, e assim continuará até que o governo e o Congresso queiram uma solução dialogada.

Num tom conciliatório, Jordi Sànchez afirmou que a sua preocupação não é sobre um eventual indulto caso não seja absolvido, como espera, mas sim com “quem se sentará para negociar com o PSOE e com que força”. Por isso apelou à unidade com o principal partido soberanista de acordo com as sondagens — a Esquerda Republicana da Catalunha: “A união soberanista ajudará, e muito, a conseguir uma via de acordo que até agora não foi possível devido à atitude do governo socialista”.

O candidato dos JxCat afirmou ainda que um cenário de aliança entre PSOE e Ciudadanos após as eleições deste mês “seria abrir a porta a outro 155”, o artigo da Constituição invocado pelo governo do PP para retirar a autonomia às instituições políticas da Catalunha.

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