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Preço do petróleo sofre queda histórica

No dia seguinte à queda para valores negativos próximos dos 40 dólares na praça de Nova Iorque, o preço do barril de petróleo no mercado norte-americano regressou a terreno positivo. Em Londres, o preço do barril de Brent caiu 26%.
torres de extracção
Aristipo Crónica Polular / Flickr

Na passada segunda-feira o barril de petróleo medido pelo West Texas Intermediate (WTI) na praça de Nova Iorque atingiu valores abaixo de zero, a primeira vez que tal aconteceu na história da WTI. Com medição feita pela negociação de contratos para entrega futura, referente ao mês de Maio, estava em -37,63 dólares por barril às 20h de Lisboa, tendo atingido -40,32 ao início da noite, noticiou o Jornal Público, acrescentando que esta tipologia de contrato foi criada em 1983 e que foi a primeira vez que atingiu valores negativos. Segundo os números divulgados pela agência Lusa, os referidos contratos fecharam com uma queda de 305%, tendo a Organização dos Países Exportadores de Petróleo acordado a redução de 10 milhões de barris por dia no total de produção. Prevê-se ainda, segundo a mesma fonte, uma redução da procura que pode ultrapassar os 20 milhões de barris diários.

Esta terça feira, menos de 24 horas depois, pelas 17h45 de Lisboa, a cotação da WTI atingia os 5,49 dólares por barril para os contratos de entrega em maio, segundo notícia do Público, e os contratos com entrega em Junho estão nos 11,73 dólares. Para o caso de Londres, onde se negoceia para o mercado português, o valor está em 18,89 dólares por barril, representando uma descida de 26%.

Citado no Jornal ECO, o analista da corretora Infinox, David Silva, aponta dois motivos fortes para a queda registada: a “aproximação do final do prazo dos futuros” e o diferencial da o stock de matéria prima e a procura real. O excedente é causado pelo grande impacto da pandemia. André Neto Pires, outro analista da XTB, acrescenta que “muitos agentes de mercado não desejam realmente adquirir a mercadoria, mas apenas negociá-la ou especular sobre o seu preço”. Além disso, há transferência de investimento para os “futuros de Julho” e “o maior trader de petróleo de Singapura entrou em falência após esconder a perda de 800 milhões de dólares”. Assim, a desvalorização do petróleo nos EUA foi muito maior do que em Londres.

Num momento de emergência climática, a atual contração na queima de combustíveis fósseis demonstra uma redução substancial nos níveis de poluição e de emissão de gases com efeito de estufa, na cidade de Lisboa como a nível global, e assinala aprendizagens relevantes para o combate às alterações climáticas, como assinalaram várias organizações ambientalistas.

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