Portugal é o segundo país da Europa que menos gasta no apoio às famílias com filhos

04 de junho 2014 - 14:41

Entre os 14 países europeus analisados no estudo divulgado pela Associação Portuguesa de Famílias Numerosas (APFN), Portugal aparece como o segundo país, depois da Polónia, com “menor despesa pública” de apoio a famílias com filhos.

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Foto de malojavio. El Saucejo, Flickr.

O estudo apresentado pela APFN, que tem como base dados da Comissão Europeia e da OCDE, e incide sobre as políticas aplicadas no Reino Unido, Finlândia, Suécia, Irlanda, França, Roménia, Grécia, Áustria, Itália, Espanha, Malta, Polónia, Chipre e Portugal, assinala que o nosso país é aquele que apresenta as políticas públicas mais penalizadoras das famílias.

No que respeita às licenças parentais previstas nas legislações nacionais, Portugal, Malta, Polónia e Chipre são os países que exibem apoios mais baixos, de menor duração e mais penalizadores dos pais. Já o Reino Unido, Finlândia, Suécia, Irlanda e França apresentam um apoio financeiro universal e significativo.

Em áreas como a Água, IMI (Imposto Municipal sobre Imóveis) e Saúde, as famílias em Portugal chegam a ser penalizadas, conforme revela o estudo apresentado pela APFN, que sublinha que as tarifas progressivas levam a que as famílias numerosas paguem a água “muito mais cara do que as famílias sem filhos ou os solteiros”.

No que respeita ao IMI, este imposto “não tem em consideração o número de pessoas que vivem na mesma área, com o mesmo espaço”, refere a APFN, que critica ainda o facto de as taxas moderadoras na Saúde serem aplicadas a partir dos 12 anos, “quando nada muda nessa idade que altere o estado de dependência”.

Portugal ocupa ainda uma das piores posições quando analisado o índice sintético de fecundidade (ISF)i, tendo atingido níveis mínimos históricos de 1.3 filhos, em 2012. É expectável, contudo, que esta tendência venha a agravar-se.

“Desde que não existe renovação de gerações, existe um défice de um milhão e trezentas e cinquenta mil crianças em Portugal”, refere a APFN.


i Número médio de crianças nascidas vivas por mulher em idade fértil ao longo de um ano.