Por cada cinco casas novas uma é residência secundária

31 de julho 2023 - 19:24

Entre 2011 e 2021, foram declaradas perto de 169 mil novas habitações, das quais mais de 32 mil foram inscritas como secundárias, o que significará que são casas de férias ou utilizadas para rentabilização no mercado de arrendamento temporário. 95% dos jovens não consegue casa própria e ainda vive com os pais.

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Foto de jingoba, Pixabay.

De acordo com o Instituto Nacional de Estatística (INE), foram construídas 14.735 residências secundárias entre 2011-2015 e 17.550 entre 2016-2021, o que representa um crescimento de 19,1%. No entanto, a procura continua a superar a oferta, com o interesse por parte de investidores por construir estas habitações a crescer nestes últimos dez anos.

Atualmente, o país conta com 1,1 milhões de segundas residências, num universo de 5,9 milhões de alojamentos familiares. Ou seja, o equivalente a 18,5% do total de habitações.

Ricardo Costa, CEO da Luximos Christie´s, citado pelo Dinheiro Vivo, explicou que, "nos últimos anos, a segunda casa revelou ser uma tendência em Portugal e, efetivamente, o volume de vendas de segundas habitações tem crescido bastante". Conforme sublinhou, existem diversos fatores que justificam esta procura: é "uma boa forma de rentabilizar as poupanças", "permite ter refúgio de férias permanente, enriquece o património e, colocada no mercado de arrendamento temporário, é também uma fonte de rendimento".

Os portugueses são preponderantes neste mercado, mas, nos últimos anos, a procura internacional tem registado um incremento.

Entre 2011 e 2021, foi no Norte que se construiram mais segundas residências, são mais 11.769, um terço do total edificado neste segmento. Segue-se o Centro, com 8397, Algarve, com 4820, Área Metropolitana de Lisboa, com 3699, e Alentejo, com 2157. Nas regiões autónomas, a Madeira conta com 829 e os Açores com 614.

Jovens não conseguem sair de casa dos pais

Um relatório da Pordata divulgado esta segunda-feira revela que, em Portugal, 95% dos jovens entre os 15 e os 24 anos ainda viviam com os pais no ano passado. Em 2004, eram apenas 86%. Trata-se do quarto valor mais elevado na União Europeia.

O presidente do Conselho de Administração e da Comissão Executiva da Fundação Francisco Manuel dos Santos (FFMS), Gonçalo Saraiva Matias, afirmou, em declarações à agência Lusa, que “há vários fatores que explicam isso", como por exemplo as condições de trabalho dos jovens em Portugal e os custos com a habitação.

Portugal ocupa o 5º lugar, no âmbito da União Europeia, no que respeita à proporção de jovens com vínculos de trabalho precários. Seis em cada 10 jovens empregados são precários. E encontra-se em 7.º no que concerne às maiores taxas de desemprego jovem, que afeta um em cada cinco. Quase 25% vive em situação de pobreza ou exclusão social.

"Na ultima década, houve o aumento muito grande dos preços da habitação e uma diminuição da oferta. Perante um cenário de empregos precários, empregos mal pagos, e de um aumento muito grande do preço da habitação, é evidente que o numero de jovens a viverem com os pais aumenta e a capacidade de os jovens saírem de casa cedo diminui", frisou Gonçalo Saraiva Matias.