Repressão

Polícia turca detém cerca de 100 pessoas em operação contra organizações de esquerda

04 de fevereiro 2026 - 10:14

O antigo deputado e copresidente do Partido Socialista dos Oprimidos, Murat Çepni, quatro jornalistas da ETHA, e diversos ambientalistas e sindicalistas estão entre os detidos.

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O antigo deputado e copresidente do Partido Socialista dos Oprimidos, Murat Çepni
O antigo deputado e copresidente do Partido Socialista dos Oprimidos, Murat Çepni. Foto HDP.

A polícia turca deteve esta terça-feira 96 pessoas no decurso de operações em 22 províncias do país e dirigidas contra partidos de esquerda, sindicatos, e diversos media.  O ministro do Interior Ali Yerlikaya referiu que as operações se inserem numa investigação sobre o ilegalizado Partido Comunista Marxista Leninista (MLKP). 

Os raides visaram o Partido Socialista dos Oprimidos (ESP), a Federação de Associações de Jovens Socialistas (SGDF), os Conselhos de Mulheres Socialistas (SKM), e o sindicato Limter-is. A polícia também efetuou buscas na Agência noticiosa Etkin (ETHA), na Fundação de Ciência, Educação, Cultura e Arte (BEKSAV) e no Gabinete Jurídico dos Oprimidos (EHB), indicou a agência noticiosa Bianet.  

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O antigo deputado e copresidente da ESP, Murat Çepni, quatro jornalistas da ETHA, e diversos ambientalistas e sindicalistas estão entre os detidos.

O gabinete do procurador de Istambul emitiu 110 mandados de detenção, alegando sem provas sustentadas que estas organizações pertencem à estrutura do MLKP.

As investigações basearam-se em depoimentos de testemunhas, material digital obtido em operações anteriores ou visionamento de reuniões virtuais.

Durante o raide a polícia arrombou as portas das instalações e confiscou equipamento técnico. Os detidos estão impossibilitados de contactar com os seus advogados num período de 24 horas após a detenção, uma prática corrente na Turquia.

Çiçet Otlu, deputada do pró-curdo Partido da Igualdade e Democracia dos Povos (DEM), e porta-voz das Assembleias de mulheres socialistas (SKM) relacionou o momento da atuação policial com os recentes acontecimentos no norte da Síria “É por defenderem a revolução Rojava”, disse, citada pela Bianet, numa referência à região autónoma curda do nordeste da Síria e ameaçada pela ofensiva das forças no poder em Damasco.

“Queremos igualdade e liberdade neste país. Queremos que sejam reconhecidos os direitos dos trabalhadores e a luta de libertação das mulheres”, acrescentou.

A deputada tinha previamente recordado as declarações do ministro dos Negócios Estrangeiros turco, Hakan Fidan, que na passada sexta-feira disse à estação televisiva Al Jazeera que cerca de 300 membros de diversas formações da esquerda turca estão presentes em áreas controladas pelas Forças Democráticas Sírias.

“O único objetivo é procurar uma oportunidade para atacar soldados turcos e forças de segurança”, argumentou o ministro na ocasião.

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