Pobres mais expostos à Covid e com maior perda de rendimentos

09 de maio 2020 - 18:01

Estudos indicam que as famílias mais pobres são quem mais sofre com o impacto da da Covid-19, seja no que respeita ao grau de contágio, acesso à educação como à diminuição dos já parcos rendimentos. As desigualdades socioeconómicas estão a aumentar.

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Pobres são mais afetados pela crise da covid-19
Foto de Paulete Matos

 

Segundo notícia da TSF, com base num estudo da Escola Nacional de Saúde Pública, “uma em cada quatro pessoas que ganham menos de 650 euros mensais (agregado familiar) perderam totalmente o seu rendimento desde que se iniciou a pandemia em Portugal. Já na categoria dos que ganham mais de 2500 euros esse valor desce para 6 por cento”.

O documento refere que “a falta de compreensão em algumas camadas populacionais sobre a forma como se propaga a doença, pode dificultar a implementação ou adoção das medidas propostas pelos governos para combater a pandemia, como o cumprimento adequado da etiqueta de higiene ou o uso apropriado de equipamentos de proteção". 

Mas “desigualdades podem surgir em fases distintas da doença: na infeção, no diagnóstico (e por vezes no tratamento) e no resultado (por exemplo a sobrevivência)".

Outros fatores de desigualdade são a precariedade no trabalho, já que “trabalhos que não podem ser realizados à distância (teletrabalho) ou a necessidade de continuar a fazer pequenos trabalhos para garantir a subsistência a curto prazo" colocam as pessoas num maior grau de exposição ao contágio. 

O estudo também avaliou as desigualdades geográficas: “os concelhos com menor taxa de desemprego, maior média de rendimento e menor desigualdade de rendimento são também os locais onde existe menor número acumulado de casos".

Alunos mais pobres correm o risco de ficar para trás

Citando o Estudo Internacional de Alfabetização em Informática e Informação (ICILS), da Associação Internacional para a Avaliação do Desempenho Educacional (IEA), o Diário de Notícias indica que “os dados levantam dúvidas sobre a capacidade que os alunos têm de estudar em casa, principalmente se os seus pais e irmãos também precisarem de acesso a um computador para trabalhar em casa”. Também é verdade que os filhos dos pais com um menor estatuto socioeconómico "correm o risco de ficar para trás, comparativamente aos seus colegas". 

Segundo o ICILS, “não basta providenciar meios”: “Enquanto muitos países estão a fazer esforços significativos para garantir a continuidade das oportunidades de educação, aumentando o acesso aos dispositivos, também é vital que garantam que os alunos sabem realmente como usá-los efetivamente”, já que “metade dos alunos portugueses não têm autonomia suficiente para trabalhar com um computador”, alerta.

Em Portugal, de acordo com o ICILS, apenas 20% dos estudantes que participaram na pesquisa "demonstraram que podem ser utilizadores independentes de um computador".