Segundo notícia da TSF, com base num estudo da Escola Nacional de Saúde Pública, “uma em cada quatro pessoas que ganham menos de 650 euros mensais (agregado familiar) perderam totalmente o seu rendimento desde que se iniciou a pandemia em Portugal. Já na categoria dos que ganham mais de 2500 euros esse valor desce para 6 por cento”.
O documento refere que “a falta de compreensão em algumas camadas populacionais sobre a forma como se propaga a doença, pode dificultar a implementação ou adoção das medidas propostas pelos governos para combater a pandemia, como o cumprimento adequado da etiqueta de higiene ou o uso apropriado de equipamentos de proteção".
Mas “desigualdades podem surgir em fases distintas da doença: na infeção, no diagnóstico (e por vezes no tratamento) e no resultado (por exemplo a sobrevivência)".
Outros fatores de desigualdade são a precariedade no trabalho, já que “trabalhos que não podem ser realizados à distância (teletrabalho) ou a necessidade de continuar a fazer pequenos trabalhos para garantir a subsistência a curto prazo" colocam as pessoas num maior grau de exposição ao contágio.
O estudo também avaliou as desigualdades geográficas: “os concelhos com menor taxa de desemprego, maior média de rendimento e menor desigualdade de rendimento são também os locais onde existe menor número acumulado de casos".
Alunos mais pobres correm o risco de ficar para trás
Citando o Estudo Internacional de Alfabetização em Informática e Informação (ICILS), da Associação Internacional para a Avaliação do Desempenho Educacional (IEA), o Diário de Notícias indica que “os dados levantam dúvidas sobre a capacidade que os alunos têm de estudar em casa, principalmente se os seus pais e irmãos também precisarem de acesso a um computador para trabalhar em casa”. Também é verdade que os filhos dos pais com um menor estatuto socioeconómico "correm o risco de ficar para trás, comparativamente aos seus colegas".
Segundo o ICILS, “não basta providenciar meios”: “Enquanto muitos países estão a fazer esforços significativos para garantir a continuidade das oportunidades de educação, aumentando o acesso aos dispositivos, também é vital que garantam que os alunos sabem realmente como usá-los efetivamente”, já que “metade dos alunos portugueses não têm autonomia suficiente para trabalhar com um computador”, alerta.
Em Portugal, de acordo com o ICILS, apenas 20% dos estudantes que participaram na pesquisa "demonstraram que podem ser utilizadores independentes de um computador".