Em comunicado, a Polícia Judiciária anuncia ter desmantelado “uma organização criminosa responsável pela prática de crimes de discriminação e incitamento ao ódio e à violência, ameaça e coação agravadas, ofensas à integridade física qualificada e detenção de armas proibidas, e na qual foram detidos 37 suspeitos com vastos antecedentes criminais e com ligações a grupos de ódio internacionais”.
Nesta operação batizada de “Irmandade”, a Unidade Nacional Contraterrorismo fez 65 buscas e apreendeu “um vasto material de propaganda e merchandising alusivo à ideologia de extrema direita violenta, nomeadamente neonazi, bem como armas diversas e equipamento tático”.
“Os visados são suspeitos de terem fundado uma organização criminosa com o exclusivo propósito de desenvolver atividades que incitavam à descriminação, ao ódio e à violência racial, tudo isto no seio de uma estrutura hierárquica e fortemente estabelecida, com distribuição de funções”, acrescenta a PJ.
O grupo neonazi 1143 é o alvo da operação que a unidade contraterrorismo da Polícia Judiciária pôs em marcha na manhã desta terça-feira. Segundo o Correio da Manhã, entre os visados na operação estão membros das claques Juventude Leonina e Super Dragões, incluindo o número 2 desta claque, Hugo Carneiro, conhecido por “Polaco”.
Os crimes em causa são os de discriminação e incitamento ao ódio sobre imigrantes. O Expresso adianta que a PJ suspeita que Mário Machado continuava a liderar e coordenar os ataques do grupo a partir da cadeia onde desde maio de 2025 cumpre pena de dois anos e dez meses por discriminação e incitamento ao ódio e à violência. Segundo a CNN, a sua cela na prisão de Alcoentre foi também alvo das buscas.
Um dos casos em investigação é o das agressões a um imigrante na estação de serviço de Aveiras por parte de elementos identificados com t-shirts deste grupo neonazi. Também as agressões a antifascistas no 25 de Abril em Lisboa, durante a contramanifestação da extrema-direita em que o próprio Machado acabou detido, ou o ataque a voluntárias que distribuíam apoio aos sem-abrigo no Porto em junho podem estar na mira desta investigação à violência neonazi em Portugal.
Notícia atualizada às 12h com o comunicado da Polícia Judiciária