Esta quinta-feira Mariana Mortágua almoçou em Lisboa com ativistas do mundo laboral e recolheu o apoio de mais de centena e meia de dirigentes sindicais e representantes de trabalhadores, subscritores do manifesto "Pela democracia e pelo trabalho, apoiamos o Bloco", que pode ser subscrito aqui. E prometeu levar consigo "em cada dia desta campanha a força que aqui recebo do vosso compromisso".
Antes da intervenção da coordenadora bloquista, falaram o deputado José Soeiro, que coordena a área do Trabalho no grupo parlamentar do Bloco, o ativista e trabalhador da vigilância José Raposo falou acerca das dificuldades específicas do seu setor, o dirigente do Sindicato da Hotelaria do Norte João Pedro Silva, interveio sobre as condições de trabalho nas cantinas, e a mandatária da candidatura de Lisboa e dirigente do SPGL Cátia Domingues falou sobre a luta dos professores.
No seu discurso, Mariana Mortágua falou da situação das 800 mil pessoas que trabalham por turnos e que "não foram sequer tidas nem achadas na última reforma laboral e ficaram de fora da Agenda do Trabalho Digno", dando o exemplo da Bosch, onde esteve na véspera. Trata-se de uma empresa que está sem contrato coletivo desde 2013 e essa fragilização dos direitos dos trabalhadores que se estende à grande maioria das empresas é "a principal causa dos salários médios que se arrastam".
Mariana Mortágua comprometeu-se a fazer "o que a maioria absoluta se recusou a fazer contra a desigualdade e a exploração", recuperando a contratação coletiva, acabando com a caducidade unilateral dos instrumentos de regulação coletiva de trabalho e repondo o tratamento mais favorável ao trabalhador.
Almoço com ativistas laborais em Lisboa
E para o concretizar, propôs uma nova regra a aplicar em toda a contratação pública: "o Estado não deve estabelecer qualquer negócio nem qualquer adjudicação com empresas que não tenham negociado contratos coletivos no último ano, incluindo negociação de atualização salarial e de carreiras".
Para os trabalhadores da administração pública, Mariana Mortágua defendeu que a sua valorização passa por "reconstruir carreiras, acabar com os sistemas de avaliação injustos e com sistemas de quotas que só servem para criar disparidades, bloqueios e impedir as pessoas de progredirem no seu trabalho".
O Bloco traz também à campanha a proposta de introduzir leques salariais de referência em que "ninguém pode ganhar num mês mais do que outro ganha num ano na mesma empresa ou organização", que teria efeito em pelo menos todas as grandes empresas cotadas em bolsa. "Em média, os gestores portugueses ganham mais 36 vezes que o salário médio das suas empresas. A diferença é ainda maior se a comparação for com o salário mínimo pago na empresa. Por isso é tão importante que o Estado defina leques salariais de referência", defendeu Mariana Mortágua.
"Nós somos e queremos representar a diversidade do mundo do trabalho"
Por fim, insistiu na necessidade de reduzir o horário de trabalho para as 35 horas, pois já passaram 30 anos desde a lei das 40 horas e é tempo de impor essa igualdade entre o público e o privado. Mas essa luta passa também por combater as múltiplas formas de prolongar esse tempo de trabalho, "das horas extra à invasão do tempo pessoal pelos contactos das empresas, dos bancos de horas às isenções de horários". E é também altura de avançar para a semana dos quatro dias de trabalho, que tem dado resultados positivos para a saúde e vida familiar dos trabalhadores nas empresas onde já se aplica.
"Nós somos e queremos representar essa diversidade do mundo do trabalho", concluiu Mariana Mortágua, "sem medo de sermos ofensivos perante novas realidades, o mundo dos algoritmos, das cadeias de valor complexas, do trabalho remoto, das migrações e das novas opressões económicas".
Almoço com ativistas laborais em Lisboa