Bloco quer maioria para "combater as velhas e novas formas de precariedade

21 de fevereiro 2024 - 23:32

Em Aveiro, Mariana Mortágua criticou o PS por estar entretido a discutir as condições para viabilizar um governo de direita. E reafirmou que o voto no Bloco é a garantia de uma maioria para fazer o que a maioria absoluta recusou: "a proteção de quem trabalha".

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Mariana Mortágua na sessão pública do Bloco em Aveiro.
Mariana Mortágua na sessão pública do Bloco em Aveiro. Foto Ana Mendes.

Numa sessão pública em Aveiro, Mariana Mortágua comentou a troca de argumentos que se prolonga desde o debate televisivo de segunda-feira entre os líderes do PS e do PSD sobre quem viabiliza o governo de quem e sob que condições. E deixou uma garantia: "se o Partido Socialista se entretém a discutir as condições para viabilizar um governo de direita, o Bloco cá está para o impedir".

A coordenadora bloquista insistiu que "uma maioria com a esquerda é a única solução de estabilidade, que responde pelo salário, pela saúde, pela habitação. E o voto no Bloco é a garantia dessa maioria. Toda a clareza, toda a convicção. É por isso que vamos vencer".

falou da desigualdade que persiste em Portugal ao longo dos séculos, descrita há quase 180 anos nas “Viagens na Minha Terra" de Almeida Garrett, passando pelo "chicote" da ditadura até aos "donos disto tudo" já em democracia. E pegou nos números divulgados esta quarta-feira pelo Instituto Nacional de Estatística: "há meio milhão de trabalhadores que, com o seu salário, ficam pobres. Um em cada dez. Trabalham e empobrecem. Mais de metade dos trabalhadores em Portugal ganha menos de 1000 euros".

"A razão para esta infâmia é evidente. O sucesso do modelo económico que foi imposto em Portugal tem sido criar pobreza, salários baixos, casas caras e maiores custos na saúde", prosseguiu, apontando as responsabilidades da direita e do PS na destruição da contratação coletiva, que abrange menos de metade dos trabalhadores que abrangia em 2008, apesar da recuperação após 2015.

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Sessão do Bloco em Aveiro. Foto de Ana Mendes.

Trabalhadores por turnos "foram os grandes esquecidos de todas as reformas laborais da última década"

E as condições dos 800 mil trabalhadores por turnos são o melhor exemplo da "norma liberal", ao estarem presentes "em setores onde nada justifica a laboração contínua, a não ser a avidez de empresas que querem produzir sempre, mesmo que para isso prejudiquem a saúde e a vida de quem trabalha". Para Mariana Mortágua, estes trabalhadores "foram os grandes esquecidos de todas as reformas laborais da última década, incluindo aquela a que o Governo da maioria absoluta deu o nome de “trabalho digno”". E por isso lutam por uma lei "que lhes garanta descanso entre turnos. Que lhes um mínimo de fins de semana para descansar e estar com a família. Que lhes garanta o direito à antecipação da reforma, reconhecendo o desgaste que este regime provoca".

Os bancos de horas e as horas extraordinárias também fazem parte do quotidiano laboral de muitos trabalhadores e a tendência tem sido o aumento da "desregulamentação de horários e mais colonização do tempo pessoal por solicitações das empresas, muito para lá do horário formal". Além disso, lembrou Mariana Mortágua, "mais de metade das horas extra em Portugal não são pagas" e todas somadas correspondem a "64 mil postos de trabalho a tempo inteiro que não são remunerados". Tantas horas extra que são tantos empregos que podiam ser criados!"

Se o Bloco conseguiu impor na lei o direito à desconexão, uma maioria política "que responda à maioria que trabalha" tem de avançar para a redução do horário de trabalho com "as 35 horas para todos", defendeu.

O combate "às velhas e novas formas de precariedade" é outra das lutas que se travam nestas eleições. Maiana Mortágua deu o exemplo dos trabalhadores da vigilância, das cantinas e das plataformas digitais. "Esse braço de ferro também o fazemos no dia 10 de Março, vencendo a direita e a extrema-direita e impondo ao próximo governo o que o PS com maioria absoluta sempre rejeitou: a proteção de quem trabalha", concluiu.