Debates mostraram que "a única solução de estabilidade é uma maioria à esquerda

20 de fevereiro 2024 - 13:00

Mariana Mortágua foi a Miranda do Douro insistir que "a EDP vai ter de pagar os seus impostos" que deve a esta terra. E diz que quem assistiu ao debate entre Pedro Nuno Santos e Luís Montenegro ficou "desiludido" com a falta de soluções.

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Mariana Mortágua em Miranda do Douro
Mariana Mortágua em Miranda do Douro. Fotos de Ana Mendes.

A coordenadora bloquista reuniu em Miranda do Douro com autarcas e representantes do movimento cultural da Terra de Miranda na manhã desta terça-feira. O encontro serviu "para lembrar uma questão que é muito importante para o Bloco de Esquerda, mas é muito importante também ao povo da terra de Miranda, que é a questão dos impostos que a EDP deixou de pagar pela venda das barragens"

"As receitas desses impostos pertencem a esta terra. São receitas do IMI, são receitas de outros impostos, do imposto de selo, que não foram pagas por um negócio milionário, que aconteceu há anos. Nós não desistimos, persistimos. A EDP vai ter de pagar os seus impostos, assim como o IMI", defendeu Mariana Mortágua em declarações aos jornalistas.

A coordenadora do Bloco recordou ainda que depois de conquistado o direito dos municípios a receber a receita do IMI das barragens, abriu-se em seguida  uma disputa sobre qual é o valor da avaliação. "É uma permanente disputa com a EDP, uma permanente guerra para que a EDP pague a este território, às autarquias, ao povo da terra de Miranda, o dinheiro que deve. Estamos a falar de quase 400 milhões, se contabilizarmos todo o negócio, que a EDP deve a este povo", denunciou, concluindo que "não podemos aceitar um regime de privilégio em que grandes empresas com tanto poder possam não pagar os seus impostos e em que depois as populações e o interior são deixados ao abandono, com os seus recursos a serem explorados, mas sem o retorno por essa exploração de recursos".

Reunião com autarcas e ativistas da Terra de Miranda
Reunião com autarcas e ativistas da Terra de Miranda.

Além da exigência de que a EDP pague o que deve a esta terra, Mariana Mortágua foi também a Miranda do Douro "para dizer que o interior, em particular a terra de Miranda, e estes municípios, precisam de apoio", nomeadamente para a manutenção e proteção do mirandês, "que é uma língua importante que em 30 anos não foi protegida e pode morrer enquanto não é falada", tratando-se de um "património nacional que tem que ser protegido".

Questionada pelos jornalistas sobre o debate televisivo da véspera entre os líderes do PS e PSD, afirmou que as pessoas que esperavam um debate claro sobre propostas e soluções "terão ficado desiludidas". E as três conclusões que retira do debate são que "nenhum partido sozinho terá a maioria", que "o único cenário de uma maioria estável  é uma maioria à esquerda" e que "é o Bloco de Esquerda que permite ter essa maioria para virar a página das políticas da maioria absoluta".

Folheto de campanha do Bloco em mirandês Folheto de campanha do Bloco em mirandês.

"E é preciso mesmo virar a página, porque a maioria absoluta deixou uma crise na saúde, deixou uma crise na habitação, deixou uma crise nos salários e é preciso reconciliar as políticas com o povo, com os serviços públicos, com a capacidade de recuperar poder de compra e de ter uma vida com o salário", prosseguiu Mariana Mortágua, insistindo que todos os debates televisivos vieram mostrar que "a única solução estável para o país é uma maioria à esquerda".

Questionada também sobre o protesto dos polícias, que saíram da concentração no Terreiro do Paço para se juntarem nas imediações do teatro Capitólio, onde o debate estava a acontecer, Mariana Mortágua reafirmou que "os polícias e as forças de segurança têm razão nas suas reivindicações" e os seus protestos são legítimos. Mas avisou que "é importante que não percam a razão desse protesto e das suas reivindicações em ações que podem ser lidas como condicionamento ao funcionamento da democracia, quer dos atos eleitorais, quer dos debates eleitorais".