Num jantar com apoiantes em Coimbra, a coordenadora do Bloco começou por comentar a decisão anunciada este sábado pelo representante da República na Madeira. Numa solução que o próprio classificou de "precária", Ireneu Barreto decidiu manter o atual governo liderado por Miguel Albuquerque em gestão até que o Presidente possa decidir sobre a convocação de eleições, ou seja, a partir de 24 de março, quando passam seis meses desde as últimas eleições legislativas regionais.
"O PSD construiu na Madeira um regime de promiscuidade, favores e cumplicidade com interesses privados, um regime que asfixia e condiciona a comunicação social, que promove a especulação imobiliária, a pobreza e uma crise ambiental permanente. Os negócios desse regime devem ser investigados e julgados na justiça. A crise desse regime só pode ser resolvida em eleições", defendeu Mariana Mortágua.
A coordenadora bloquista dedicou o seu discurso à geração a quem querem convencer que "a vida é uma corrida" e acaba "a correr desenfreadamente para lado nenhum" desde a escola ao trabalho, ou mesmo para fora do país. Disse que "é ótimo percorrer o mundo, abrir horizontes, conhecer o que é diferente. Mas há uma diferença entre querer sair e ser expulso" porque o salário "é baixo e a vida é cara". Mariana Mortágua vê uma economia que expulsa os jovens que o Estado investiu para formar e ao mesmo "condena outros jovens, vindos de outras partes do mundo, à mais brutal exploração porque recebem ainda menos". Neste caso, é "uma corrida para o fundo".
Mas se o país passou as últimas décadas "a correr de crise em crise", só há uma corrida "em que nos querem mesmo parados", uma corrida onde o atraso é sinónimo de "prudência e moderação", prosseguiu Mariana Mortágua. Trata-se da corrida para travar a crise climática, numa altura em que mais de metade do país atravessa "uma seca sem fim à vista".
Jantar-comício este sábado em Coimbra
"Foi o mercado que nos trouxe à crise climática, confiar nele é ficar a ver a água a subir"
Aos que dizem que a crise climática se resolve com o mercado, o Bloco responde que "o mercado são as estufas e o abacate, o mercado são os resorts de luxo em área protegida, o mercado são os ultra ricos que chegam de jato privado e os cruzeiros que fazem fila".
"Foi o mercado que nos trouxe à crise climática, confiar nele é ficar a ver a água a subir", avisou a coordenadora bloquista, acusando os liberais de seguirem o "culto de Noé: venha o dilúvio que nós safamo-nos; se os outros se afogarem, paciência - isto está para os mais poderosos e para os que conseguem comprar o bilhete para a Arca".
"Não vale a pena anunciar Portugal como campeão verde da Europa enquanto no Governo ninguém fecha a torneira aos abacates, ao regadio super intensivo ou aos campos de golf", acrescentou, defendendo em seguida medidas concretas como a proibição dos jatos privados, o fim da exploração e utilização de energia fóssil e a criação de empregos pela transição climática, além de transportes públicos gratuitos e produção de energia descentralizada.
Neste caso trata-se de "uma corrida contra o tempo" em que é preciso fazer mais e agir no imediato "para reduzir emissões, para adaptar o território, para trazer valor acrescentado à economia, para reter qualificações". Justamente o contrário do que propõe Luís Montenegro, "o homem que dizia que o país está melhor enquanto mais de cem mil pessoas saíam do país por ano". Para Mariana Mortágua, esta é "a mesma direita que fala tanto sobre emigração e crescimento económico, o que propõe é precariedade para os jovens e borlas fiscais para os milionários que os exploram, para os especuladores que expulsam os jovens das suas casas porque não conseguem pagar uma renda ou pagar uma casa, borlas para os milionários que ganham com a crise climática que arranca o futuro aos jovens e às próximas gerações.
E porque é o voto dos jovens que pode decidir estas eleições, Mariana Mortágua concluiu que é com esse voto e a eleição por Coimbra de Miguel Cardina para deputado "que começaremos a construir uma vitória para responder à emergência climática, para acabar com a precariedade, para impor ao mercado casas que os jovens possam pagar, para ter uma vida boa, com salário justo e tempo para viver".
Jantar-comício este sábado em Coimbra