Daniel Hagari, porta-voz do Exército israelita, afirmou esta sexta-feira que, além dos ataques realizados nos últimos dias, as forças terrestres estão a expandir a sua atividade esta noite". "As IDF [Forças de Defesa de Israel, na sigla em inglês] estão a agir com grande força (...) para alcançar os objetivos da guerra”, frisou.
A Companhia de Telecomunicações da Palestina (Paltel) informou estar perante "uma interrupção completa de todos os serviços de comunicação e internet" devido aos bombardeamentos. Marwan Jilani, diretor da Sociedade do Crescente Vermelho Palestiniano (PRCS), que se encontra em Ramallah, na Cisjordânia ocupada, alertou que os palestinianos em Gaza “enfrentam uma escuridão total”, já que todas as comunicações de telefone fixo, telemóvel e internet foram cortadas. A autoridade de saúde perdeu contacto total com as suas equipas em Gaza esta tarde.
“Estamos extremamente preocupados com os nossos colegas”, disse Jilani, explicando que pouco antes de as comunicações caírem foram relatados ataques israelitas em torno de dois hospitais – um em Khan Younis, no sul de Gaza, e outro na Cidade de Gaza.
“Além da catástrofe humanitária que tem acontecido diante dos olhos do mundo nos últimos dias, enfrentamos agora uma escuridão total. Não sabemos o que está a acontecer”, disse Jilani.
Mediante o bloqueio de Israel a todas as entregas de combustível, os hospitais de Gaza procuram desesperadamente por diesel para manter os geradores de emergência que alimentam incubadoras e outros equipamentos que salvam vidas.
Israel divulgou, entretanto, um vídeo de propaganda em que alega que, por baixo do hospital al-Shif, está localizado o quartel-general militar do Hamas, embora as autoridades palestinianas e a equipa do hospital tenham negado veementemente essa informação.
O jornalista israelita Dimi Reider alerta para os efeitos de um possível ataque: “Todos os olhos deveriam, portanto, estar voltados para o hospital al-Shifa, que um vídeo de propaganda grosseiro divulgado pelo [exército israelense] hoje cedo apresentou quase como um alvo legítimo, alegando que o quartel-general militar do Hamas estava escondido por baixo dele”, disse Reider.
“Qualquer tentativa de tomar o hospital – ou de bombardeá-lo a partir do ar – irá acertar o relógio do conflito e atirar-nos a todos de volta para a zona de perigo da guerra regional”, acrescentou.
A ONU lembrou que o hospital hospital al-Shifa está sobrelotado com milhares de pacientes e feridos, e que cerca de 40 mil moradores deslocados de Gaza se encontram nas imediações na esperança de que seja um lugar seguro.