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Países europeus apostam de novo no carvão

Depois de semanas com quebras no fornecimento do gás russo, os países europeus estão a planear formas alternativas de garantir fornecimento energético e a constituir reservas para o inverno.
Central de energia a carvão em Inglaterra. Foto UniversityBlogSpot/Flickr

Polónia, Roménia, Bulgária, Finlândia e os Países Baixos recusaram-se a efetuar o pagamento dos contratos em rublos e viram o seu fornecimento de gás ser cortado pela gigante nacional russa Gazprom. Para além destes países, também a Alemanha, a República Checa, Itália, Áustria e a Eslováquia estão a ser afetados por apenas estar em circulação 40% do gás que era suposto no gasoduto Nord Stream. Apesar da Rússia alegar dificuldades técnicas, Mario Draghi refere-se a chantagem política por Putin.

Alemanha, Áustria e Países Baixos recuam no faseamento do carvão

Este domingo, dia 19 de junho, a Alemanha apresentou uma série de medidas de resposta à escassez de gás e de planeamento para os meses frios que se avizinham. Entre estas inclui-se a reabertura de centrais de produção de eletricidade a carvão, cuja utilização  estava prevista ser eliminada gradualmente até 2030. O ministro da Economia, Robert Habeck, afirmou que “para reduzir o consumo de gás, tem de ser menos utilizado para a produção de eletricidade. Em alternativa, as centrais a carvão terão de ser mais usadas (...) É amargo, mas é fundamental reduzir o consumo de gás”.

Também a Áustria enveredou pelo mesmo caminho. Karl Nehammer, o chanceler austríaco, anunciou que o Governo irá trabalhar com o grupo Verbund, o maior produtor de energia, para retomar a produção na central na cidade de Mellach, a última unidade a carvão a operar na Áustria e encerrada em 2020.

No dia seguinte, os Países Baixos reduziram os limites de produção de eletricidade por centrais a carvão. 

Rob Jetten, ministro do Clima e da Energia neerlandês, disse em conferência de imprensa que o executivo “decidiu suspender imediatamente as restrições de produção para centrais a carvão de 2022 a 2024 (...) Isso significa que as centrais a carvão podem funcionar em plena capacidade novamente, em vez do máximo de 35%”.

Polónia subsidia carvão e Portugal não cede por enquanto

No passado dia 15, a Ministra da Energia polaca, Anna Moskwa, anunciou que o Governo iria avançar com um subsídio estatal para a compra de carvão pelos agregados familiares e cooperativas. Segundo o plano, os consumidores podem comprar até 3 toneladas a um preço máximo de 214 euros e os vendedores que mantenham esse preço receberão até 161 euros de compensação. Prevê-se que o programa no total custe cerca de 643 milhões de euros. 

Por cá, o Ministério do Ambiente e da Ação Climática esclareceu ao Jornal Eco que Portugal não pretende voltar a recorrer ao carvão para a produção de eletricidade. Desde o final de novembro de 2021, com o encerramento da central termoelétrica do Pego, que Portugal já não produz eletricidade a partir de carvão. 

Outros países europeus avançam com planos de emergência

Por seu turno, outros países europeus estão a avançar com planos de emergência para situações com quebras no abastecimento. A Bulgária, que depende em 90% do gás russo, passou a importar dos Estados Unidos, reforçou as ligações ao Azerbaijão, pedindo que as entregas de gás fossem aumentadas, e está a estudar acordos com a Grécia e a Turquia.

A Dinamarca acionou um “alerta precoce” sobre o fornecimento de gás esta terça-feira. Apesar de ter 75% das reservas completas, o seu principal fornecedor é Moscovo, a quem recusou pagar o gás em rublos.

A operadora da rede francesa de transporte de gás GRTgaz desenhou em abril um plano com medidas que lhe permitem emitir ordens para reduzir ou interromper o consumo de gás até duas horas para grandes consumidores ligados à rede. Na passada sexta-feira, 17 de junho, a operadora anunciou que não recebe gás russo através do Nord Stream desde 15 de junho.

No plano da Grécia consta mudar quatro centrais de gás natural liquefeito para diesel e também aumentar a utilização de carvão nos próximos dois anos como uma medida temporária.

Por seu lado, a Comissão Europeia alerta contra o regresso generalizado da utilização de combustíveis fósseis. “Temos que ter a certeza de que usamos esta crise para dar um passo em frente e não para trás, de volta aos combustíveis fósseis”, disse Ursula von der Leyen. “É uma linha muito ténue e não está garantido que vamos seguir o caminho certo”.

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