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Os portugueses envolvidos no escândalo “Panama papers”

Luís Portela, presidente não executivo da farmacêutica Bial, Manuel Vilarinho, ex presidente do Benfica, e Ilídio Pinho, industrial, são os nomes mais sonantes. Panamá ajudou a esconder 'saco azul' do BES durante 21 anos. Isabel de Santos criou conta offshore através da Mossak Fonseca por intermédio de gestor de fortunas. Ex-ministros portugueses também integram a sua lista de clientes.

Segundo revelam o Expresso e a TVI, Manuel Vilarinho, empresário e ex-presidente do Benfica, Luís Portela, presidente não executivo da farmacêutica Bial, e Ilídio Pinho, industrial do Norte, figuram entre as 240 figuras nacionais que surgem nos “Panama papers” como clientes da Mossack Fonseca.

Vilarinho, que é assinalado como beneficiário da empresa Soyland Limited Liability Company, com sede no Nevada, EUA, assumiu a veracidade das informações veiculadas pelos media: “Pois é claro que o meu nome aparece nos papéis do Panamá. Eu sei que estou lá, sabe o Ministério Público e sabe o país todo”.

O ex presidente do Benfica, e atual presidente do Conselho de Administração da empresa de investimentos imobiliários Edigest, acrescentou que “isso não é crime” e que cometeu “um pecado que está no DCIAP [Departamento Central de Investigação Penal] por causa de um problema grave com o Banco Espírito Santo”.

“Não tenho rabos de palha e sou um cidadão cumpridor. Já paguei tudo o que devia”, acrescentou Vilarinho em declarações ao Expresso.

Luís Portela e Ilídio Pinho desmentem.

Ilídio Pinho, que, atualmente, controla o grupo IP Holding, o maior acionista da Fomentinvest, empresa da qual Pedro Passos Coelho, de quem é próximo, chegou a ser administrador, tinha, segundo os documentos divulgados, autorização, desde 2006, para movimentar contas da empresa IPC Management Inc, e de uma empresa ligada a uma offshore sediada no Panamá, a Stardec Investments SA.

O industrial do Norte, que, em 1995, foi condecorado com a Grã-Cruz da Ordem do Mérito e Comendador da Ordem de Mérito Industrial pelo então Presidente da República Mário Soares, do qual mereceu grandes elogios por ser “um homem com uma visão para Portugal”, nega o seu envolvimento: “Durante toda a minha vida efetuei milhares de negócios e não tenho nem nunca tive contas no Panamá”.

Também o médico Luís Portela, que, de acordo com as informações divulgadas, controlava indiretamente a Grandison International Group Corp, e que, desde 2004, estava autorizado a movimentar dinheiro e ativos da conta bancária associada à empresa, recusa ter qualquer relação com offshores.

GES escondeu saco azul durante 21 anos

A ES Enterprise, utilizada como saco azul do Grupo Espírito Santo para pagamentos extra não documentados, também consta dos “Panama papers”.

Segundo avança o jornal Expresso, este saco azul do GES alicerçava-se em 300 offshores, pelos quais terão passado mais de 300 milhões de euros em cerca de 21 anos. Os documentos revelam que Ricardo Salgado e José Manuel Espírito Santo tinham acesso direto às contas offshore, contudo, todos os membros do conselho superior do Grupo podiam ter acesso ao dinheiro.

Isabel dos Santos envolvida no escândalo

O Expresso e a TVI referem também o nome da filha do presidente angolano, José Eduardo dos Santos. Isabel de Santos terá recorrido ao gestor de fortunas Jorge Cunha para criar uma conta offshore através da Mossak Fonseca.

Da lista de clientes de Jorge Cunha constam vários ex-ministros e outros políticos portugueses (ler artigo Ex-ministros e políticos portugueses envolvidos no “Panama Papers”). Até ao momento, não foi divulgada a identidade de nenhum destes ex-ministros e outros políticos.

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