Orçamento tem que dar resposta ao alojamento estudantil

24 de outubro 2022 - 17:39

No âmbito da Acampada pelo Alojamento Estudantil em Lisboa, Catarina Martins lembrou que um em cada dez alunos não se inscreveu no ensino superior por falta de alojamento.

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Catarina Martins na Acampada pelo alojamento estudantil. Fotografia: Ana Mendes

“Este ano, celebrou-se o facto de nunca terem entrado tantos estudantes no ensino superior. Isso é uma boa notícia. Só que não se está a dizer que um em cada dez não se matricularam - entre outras razões mas esta é a principal - porque é impossível encontrar alojamento que as famílias consigam pagar”, afirmou Catarina Martins em declarações à comunicação social no âmbito da acampada estudantil que decorreu junto ao Caleidoscópio, em Lisboa. 

“À medida que o ano letivo avança, se nada for feito, o número de jovens que são obrigados a abandonar o ensino superior vai aumentar” referiu a coordenadora bloquista, lembrando que esta situação se reporta anualmente mas este ano “está pior do que nunca” uma vez que “muitas das habitações que tradicionalmente estavam disponíveis para estudantes estão agora em alojamento local e turismo e os estudantes ficaram sem local para viver.”

Catarina Martins lembrou que o Governo tem falado diversas vezes do programa de residências, mas este deveria ter ficado pronto em 2022 e foi adiado para 2026: “haver residências publicas em 2026 é muito importante mas não resolve o problema de quem entrou agora no ensino superior, e de quem está agora a estudar porque, em 2026, se tudo tiver corrido bem, já acabou o ciclo de estudos.”

“Na última sexta-feira, o Partido Socialista chumbou todas as propostas para que houvesse respostas de urgência ao alojamento de estudantes” recordou, acrescentando que o Bloco exige que “no Orçamento de Estado haja qualquer resposta que não seja esperar por 2026, senão, àquele um em cada dez que já desistiu de se matricular porque não encontra resposta, vão juntar-se muitos outros estudantes que vão ser obrigados a desistir do ensino superior”.

“Portugal precisa que as novas gerações tenham acesso ao ensino superior. É não só um direito de cada jovem como uma necessidade absoluta de desenvolvimento do nosso país. E é por isso que para nós é necessário que agora haja respostas e que o Governo não continue a dizer que em 2026 é que vai ser, como há antes disse que em 2022 é que vai ser” concluiu Catarina Martins

400 euros por um quarto

Leonor Rosas, membro da Coordenadora de Jovens do Bloco de Esquerda, lembrou que “em Lisboa um quarto pode chegar a 400 euros” acrescentando que muitas vezes os estudantes são obrigados “a viver em despensas, em quartos insalubres, em que os tetos caem e chuva entra”, o que é “absolutamente inaceitável.”

“A habitação não é um negócio, queremos uma Lisboa onde se possa viver” referiu a bloquista, acrescentando que é fundamental que os e as estudantes “não tenham que ficar de fora do ensino superior porque não têm dinheiro para pagar o quarto”.

“Exigimos que se cumpram os planos e as metas traçadas pelo Governo para plano nacional de alojamento estudantil e por isso vamos cá estar e repetiremos tantas vezes quantas forem possíveis até que todos os estudantes tenham o seu direito à habitação efetivado” concluiu Leonor Rosas.