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Colocados e desalojados: universitários enfrentam falta de alojamento

Quase 50 mil estudantes entraram na primeira fase de acesso ao ensino superior. Para muitos, o desafio é encontrar sítio onde ficar com cada vez menos casas disponíveis.
Foto de Paulete Matos.

"Os pedidos de ajuda com o alojamento multiplicam-se numa caixa de entrada que não consegue acudir todos os estudantes. Os preços elevados mantêm-se, o número de quartos disponíveis está a diminuir com a retoma do turismo e o impacto da presente inflação não é previsível, nomeadamente nas empreitadas das residências já calculadas no PPR [Plano de Recuperação e Resiliência] ", afirmou a presidente da Federação Académica do Porto à agência Lusa. Ana Gabriela Cabilhas diz estar "preocupada" com a situação dos novos estudantes que "estão colocados, mas desalojados”.

Para o presidente da Federação Académica de Lisboa, João Machado, “este ano vai ser ainda mais difícil para um estudante encontrar casa”. Em declarações ao Público, o dirigente académico diz que a queda na oferta de quartos chega aos 80%, enquanto os preços praticados aumentaram 10% face ao ano passado, com a média a passar de 268 euros para 294 euros mensais por quarto. Em Lisboa, o preço médio é de 381 euros (mais 55 euros que no ano passado), no Porto 324 euros (mais 74 euros) e em Braga 250 euros (mais 50 euros). Valores médios bem acima dos 221,60 euros de apoio aos estudantes carenciados na maior parte do país, valor que pode chegar a um máximo de 288 euros mensais para quem estuda em Lisboa, Oeiras e Cascais.

Segundo o último relatório do Observatório do Alojamento Estudantil, em todo o país há 1.973 quartos disponíveis este ano, quando em 2021 eram 9.884. Em Lisboa, há apenas 764 quartos com anúncios de arrendamento, quando no ano passado havia 3.706. Cidades como Setúbal, Aveiro e Braga têm agora uma oferta de 32, 34 e 64 quartos, respetivamente.

Alojamento local e nómadas digitais dão mais dinheiro aos senhorios, oferta pública só cobre 15% dos deslocados

Para a Associação Lisbonense de Proprietários, a queda no número de quartos disponíveis deve-se à retoma do turismo e aos chamados “nómadas digitais”, que trabalham remotamente e escolhem o nosso país para viver. Ao Público, Diana Ralha diz que a receita dos senhorios com o alojamento local e nos nómadas digitais é bem maior do que a arrendar quartos para estudantes.

Por outro lado, a oferta pública de quartos para estudantes universitários continua a cobrir apenas 15% do número de estudantes deslocados. A prometida construção de novas residências universitárias esteve parada è espera da assinatura dos contratos de financiamento com verbas do Plano de Recuperação e Resiliência, no valor total de 375 milhões de euros. Um valor ainda assim insuficiente para a construção de 12 mil novas camas anunciadas pelo Governo, que terá de conseguir reforçar o financiamento para dar resposta a todos os projetos aprovados.

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