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ONU alerta para agravamento de violência contra palestinianos na Cisjordânia

Gabinete das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários denuncia aumento das restrições de acesso e de movimentos, deslocamentos forçados, assédio, invasão e intimidação, agressões e assassinatos por parte de colonos israelitas.
Soldados israelitas vigiam durante confrontos com manifestantes palestinianos na entrada norte da cidade de Ramallah, na Cisjordânia, perto do assentamento israelita de Beit El, em 20 de outubro de 2023. Segundo o Ministério da Saúde palestiniano, 15 palestinianos ficaram feridos nos confrontos. Foto EPA/ALAA BADARNEH, agência Lusa.

O Gabinete das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários (OHCA) aponta que mais de 820 palestinianos na Cisjordânia ocupada foram deslocados desde 7 de outubro.

As restrições de acesso, normalmente impostas pelas autoridades israelitas, intensificaram-se em toda a Cisjordânia, incluindo Jerusalém Oriental. Estas são particularmente graves em áreas próximas dos colonatos israelitas e na chamada “Zona de Costura”, a área palestiniana isolada pela barreira de 712 quilómetros de Israel na Cisjordânia.

Os colonos também impuseram restrições à movimentação, bloqueando estradas de acesso às comunidades palestinianas, limitando o seu acesso a serviços essenciais e meios de subsistência. Em alguns casos, os colonos também danificaram os recursos hídricos dos quais dependem as comunidades pastoris. Os serviços de assistência humanitária, incluindo saúde e educação, também tiveram de parar desde que as restrições se intensificaram, refere a OCHA.

A violência dos colonos israelitas aumentou significativamente, de uma média já elevada de três incidentes por dia em 2023 para sete por dia agora, avança a OCHA.

Desde 7 de outubro, o OCHA registou 171 ataques de colonos contra palestinianos, resultando em 26 incidentes diferentes com vítimas, danos em 115 propriedades palestinianas e cerca de 30 incidentes relatados, tanto de danos materiais como de vítimas. Os casos de assédio, invasão e intimidação não são incluídos nos relatórios, embora também aumentem a pressão sobre os palestinianos para abandonarem as suas terras, refere a OCHA.

O gabinete das Nações Unidas esclarece que, em quase metade dos casos, as forças de segurança israelitas “acompanharam ou apoiaram ativamente” os agressores.

Oito palestinianos foram mortos diretamente por colonos, até o final de outubro, observou a OCHA. Foram causados danos ou destruição a 24 estruturas residenciais, 40 estruturas utilizadas para agricultura, 67 veículos e mais de 400 árvores.

O Ministério da Saúde palestiniano refere que cerca de 130 palestinianos foram mortos na Cisjordânia por tiros de soldados ou colonos israelitas desde 7 de outubro.

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