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"O voto no Bloco de Esquerda é o voto que vence a direita"

No encerramento da campanha, Catarina falou sobre os jovens “que lutam pela responsabilidade de ter futuro”, os trabalhadores e precários “que constroem este país e exigem a hipótese de ter salário decente” e os pensionistas “que merecem toda a solidariedade”. E deixou o apelo: "Vão votar. É o vosso voto que desempata Portugal”.
Foto de Pedro Almeida, esquerda.net

No comício de encerramento da campanha esta sexta-feira, no Porto, Catarina falou sobre “as pessoas que ouvimos e vieram falar connosco”, sejam “os pensionistas que não percebem porque razão sofreram duplos cortes nas pensões”, ou ainda “os trabalhadores precários que ficaram sem nada durante a pandemia” e “desesperam porque o seu salário não sobe e a carreira está bloqueada”.

Mas também “os cuidadoras informais que ficaram com os seus filhos, pais e avós, sem nenhum apoio durante a pandemia”, ou ainda “quem trabalha todos os dias no Serviço Nacional de Saúde e é pressionado para dar mais horas da sua vida por falta de meios. O SNS é a coluna vertebral da nossa democracia e nós aqui estamos para proteger o SNS”.

“Tivemos nesta campanha todos os dias a força destes jovens que estão nas lutas deste país. Aqui estão para responder pela emergência climática. Aqui está uma geração jovem que nasceu com direitos e não aceita voltar para trás. Aqui está toda a exigência da esquerda, contra a precariedade e pela solidariedade”, continuou.

“É por esta gente que nos apresentamos a estas eleições e dizemos claramente: vão votar. É o vosso voto que desempata Portugal”, apelou.

Catarina relembrou a primeira iniciativa de campanha, na barragem de Miranda do Douro, uma das barragens que a EDP vendeu e o Governo permitiu que não pagasse o imposto de selo. “Porque a campanha é sobre escolhas e não aceitamos que quem trabalha e trabalhou toda uma vida pague os seus impostos e a EDP, que roubou ao povo, escape às suas obrigações, o voto no Bloco de Esquerda é esse voto contra o privilégio, que combate a desigualdade e faz um país mais justo”.

A direita, diz, “nunca mudou de programa. Pode fazer de conta que é mais bonacheirona a falar de gatos, mas o plano é sempre o mesmo: entregar as pensões às seguradoras e os hospitais aos Mello para privatizar a saúde”, relembrou. “Em eleições não pode haver programas escondidos: quem votar tem de saber no que é que está a votar. E aqui estamos para dizer que as pensões são a certeza no fim de vida de trabalho, e numa democracia, a proteção escreve-se com solidariedade e não com jogos de casino”.

Já sobre o Partido Socialista, "travámos a ambição de maioria absoluta". E relembrou que uma maioria absoluta do PS serve apenas "para manter na precariedade sucessivas gerações. A maioria absoluta não defende quem trabalha. O voto no Bloco de Esquerda é o voto que vence a direita mas é também o voto por um contrato que não esquece a saúde, a habitação, o clima, o salário e a pensão", concluiu.  

José Soeiro: “Os nossos sonhos não cabem na mão invisível do mercado e do negacionismo climático”

Na sua intervenção, José Soeiro começou por fazer um “elogio da militância”, palavra que definiu como “uma atividade generosa” que dá corpo ao “desafio de construirmos juntos, pensarmos e fazermos juntos esta esquerda”. No final de uma “campanha intensa” em que  “quisemos proteger-nos da pandemia, mas não das pessoas”, Soeiro destacou as ações locais em todo o distrito que permitiram distribuir “mais de 350 mil jornais da nossa campanha”.

Em seguida, apontou baterias ao “extremismo conservador ou neoliberal” da direita, que apregoa uma liberdade que “para quem trabalha, é a liberdade de comer e calar”, a liberdade que “obrigou os trabalhadores da Altice a assinarem uma carta de despedimento travestida de rescisão, que não vão poder contestar em tribunal” a liberdade “dos imigrantes de Odemira quando lhes apreendem os documentos para não poderem sequer ousar exercer os seus direitos mais básicos” ou a do estafeta para escolher qual a aplicação que o vai explorar sem direito a um vínculo laboral.

“Não alinhamos neste sonho triste que nos propõem os liberais”, o de “sermos todos ricos, investidores e patrões (nem que sejam fictícios) de nós próprios” e que não passa de “uma fraude e um delírio”. “Os nossos sonhos não cabem na mão invisível do mercado e do negacionismo climático”, contrapôs Soeiro, e “o liberalismo selvagem do passado não será o nosso futuro, por mais máscaras e enfeites que coloque”. No apelo final ao voto, lembrou que “é o Bloco quem disputa no distrito e no país contra a extrema-direita e vamos vencê-los nestas eleições”.

Isabel Pires: "Rio é a assombração do país"

Isabel Pires, candidata pelo Porto a estas eleições, relembrou o passado de Rui Rio na cidade e o plano que quer aplicar ao país. “Rio é a assombração que quer aplicar ao país a receita que aplicou a esta cidade: privatiza-se tudo, da cultura aos serviços públicos”

E se Rio “não sabe” o que é o direito à habitação, sabe o que é “a insensibilidade e o preconceito. Rio é aquele que, vergonhosamente, assistia à destruição da casa de várias dezenas de famílias no Aleixo enquanto estava num barco de luxo a beber champanhe”, relembrou. 

“É esta a receita que a direita quer para o país”, continuou por dizer. “Destruir serviços públicos”, e contra isso “terá no Bloco de Esquerda a força que impede o país de andar para trás”.

João Teixeira Lopes apela ao voto para vencer “a troika de espírito que coloniza o PS e o amedronta”

O antigo deputado bloquista João Teixeira Lopes lembrou na sua intervenção “uma das mais impressionantes metamorfoses desta campanha”: a transformação de “Rui Rio contabilista” no “Rui Rio, paz e amor”, um substituto contemporâneo do simpático Avó cantigas”. Mas quem vive no Porto, acrescentou, não esquece o Rui Rio dos despejos violentos e que “queria internar em instituições psiquiátricas os arrumadores da cidade, porque tinha nojo deles” ou que “chamava subsidiodependentes aos trabalhadores da Cultura”.

Sobre o “acordo de cavalheiros” do PS com Rio, proposto por Augusto Santos Silva, João Teixeira Lopes recordou os anteriores “acordos de cavalheiros” que atrasaram dez anos a legalização do aborto ou adiaram até hoje a regionalização. Esses acordos de cavalheiros são “o bloco central oculto e informal” que “abre as bolsas do erário público ao financiamento da banca, às PPP e às borlas fiscais”, prosseguiu, concluindo que “a Troika de espírito que coloniza o PS e o amedronta” só será derrotada se o Bloco tiver força.

 

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