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A direita tem as garras à mostra contra Portugal

Juntando-se à campanha em Braga, Francisco Louçã defendeu que, tal como em 2015, o Bloco “é a força determinante” que pode derrotar a direita que se transformou “nos embaixadores dos tentáculos financeiros”. Para proteger Portugal é preciso “uma esquerda forte, capaz do compromisso urgente do nosso povo”.
Foto de Pedro Almeida, esquerda.net

Francisco Louçã, fundador do Bloco de Esquerda, começou a sua intervenção esta terça-feira, em Braga, com uma pergunta: “o que é que nós queremos para 2030? Ou para os próximos anos? A resposta talvez esteja na nossa vida”, disse.

“Um Serviço Nacional de Saúde universal e seguro. Um salário e pensão que garantam que termina a precariedade e a pobreza. Uma escola, uma creche e uma universidade de qualidade para as nossas crianças. E uma banca confiável em que não tenhamos de ter medos dos administradores e dos acionistas”, continuou por dizer numa lista que é “tanto trabalho que temos de nos perguntar qual é o próximo passo”.

“Estas eleições vão determinar quatro anos. Metade do tempo que nos leva até 2030. É agora ou nunca que se dá um passo neste caminho”, sintetizou. E o primeiro passo, diz, é “vencer a direita”.

A direita “disfarça-se agora com a fofura de um bichano mas as garras estão tão à mostra como nunca tinham estado”. E se estes partidos sempre representaram interesses económicos, “agora é uma parada dos embaixadores dos tentáculos financeiros”. De tal forma que, diz, “não me lembro de uma campanha em que se tenham apresentado de uma forma tão crua como uma coligação de grandes empresas. Querem entregar a TAP à Lufthansa; entregar os hospitais aos Mello e à Fosun; querem recrutar clientes para os colégios privados”.

Isto é acompanhado por um “plano mirabolante de ideias extraordinárias: passar um milhão de utentes do SNS para as clínicas; estudantes a pagarem os estudos até aos 53 anos; um salário mínimo que possa ser mais baixo em Guimarães do que em Braga, mais baixo em Braga do que no Porto, e mais baixo no Porto do que em Lisboa”. Ou ainda, “reduzir o IRS a quem tem muito, para o cobrar a quem tem pouco”.

A isto, Francisco Louçã dá um nome: “chama-se um vendaval, um vendaval contra Portugal. E por isso vencer a direita é uma condição de saúde social, e para isso é preciso uma esquerda forte, capaz do compromisso urgente do nosso povo”.

 

O Governo, diz, continua a achar que não tem de explicar a ninguém porque é que poupou à EDP 110  milhões de um imposto que devia pagar”, ainda assim “uma gota no oceano” de benefícios fiscais que alcançam mais de 4 mil milhões de euros.

E criticou António Costa pela “crise política provocada pela ambição desmedida do poder absoluto”. “Como é que se pode justificar uma crise política para recusar a proposta de António Arnaut para recuperar o Serviço Nacional de Saúde?”, questionou.

A crise, explica, é um “truque. Mas o truque criou o vazio. O pesadelo da maioria absoluta morreu. Mas ficou um mistério. O PS está a ser engolido pelo mistério. Qual é a sua alternativa? Quer que os eleitores escolham sem saberem qual é a alternativa”, concluiu.

“Eu sei que cumprimentar toda a gente é cortesia, mas política que não seja jogo é dizer o que é que se quer e para onde se vai. Será que há um único eleitor do PS que ache que é com o PSD e Rui Rio que se vai conseguir os contratos para os profissionais de saúde, ou proteger os jovens a recibos verdes, ou salário mínimo?”, questionou.

“Este mistério está a confundir o PS. É de sua inteira responsabilidade. O vazio e o mistério estão a fazer desta campanha um empate”, diz. Por isso, “o voto no Bloco é agora o único que pode virar a eleição. Se o Bloco for a terceira força política, o país tem uma certeza: nunca haverá um governo da direita”.

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