O Dia da Terra Palestina foi assinalado este domingo um pouco por todo o mundo. Também em Portugal, onde o Movimento pelos Direitos do Povo Palestino e Pela Paz no Médio Oriente, junto com outros movimentos sociais e sindicatos organizou ações em Lisboa, Coimbra e Porto.
A jornada serve para invocar o 30 de março de 1976 quando uma greve geral e manifestações foram organizadas contra o governo sionista e a expropriação de terras na Galileia para construir mais colonatos e zonas militares. Nessa data, o exército israelita reprimiu estas manifestações matando seis pessoas.
Desde então que o dia é utilizado para lembrar a causa palestina. E, enquanto em Gaza continua a decorrer um genocídio, este ano houve mais uma vez ações em vários pontos do globo.
Em Lisboa foram centenas as pessoas que se juntaram inicialmente no Martim Moniz. A investigadora luso-palestiniana Dima Mohammed explicou à Lusa o sentido do protesto: "estamos aqui para nos lembrarmos, de novo, daquele dia, para nos lembrarmos dos jovens que foram mortos naquele dia”.
Acrescentou ainda: “há décadas que o povo palestiniano está a resistir à confiscação da terra, a um projeto de colonização sionista que tem como objetivo expulsar o povo palestiniano”.
O Estado português tem de fazer "a parte que lhe compete" diz Fabian Figueiredo
O dirigente bloquista Fabian Figueiredo também esteve presente nesta concentração e partiu do balanço de 50 mil civis mortos, 70% dos quais são crianças e mulheres, para explicar que “Israel tem uma máquina de terror que mata gente inocente, palestinianos, mas também trabalhadores humanitários, funcionários da ONU, dezenas de jornalistas”.
Esta é, para ele, a primeira razão para a ação deste domingo: “protestar contra o genocídio em Gaza”. Para além disso, exige-se que “o Estado português faça a parte que lhe compete”. O que passa por reconhecer o Estado da Palestina, defender nos fóruns europeus a denúncia e a suspensão do acordo de associação entre a União Europeia e Israel, proibir de uma vez por todas a importação de bens e serviços dos territórios ocupados por Israel e “garantir que o mandado de Tribunal Penal Internacional é respeitado”.
Sobre isto, o líder parlamentar do Bloco lembra que o governo húngaro já afirmou que irá desrespeitar o mandado do TPI uma vez que Netanyahu, que considerou ser “um ceifeiro da morte” e é procurado por esta instância, se vai deslocar àquele país e “porque é um criminoso de guerra, deve ser julgado e para poder ser julgado tem que ser detido”. O partido defende assim que “o governo português esteja à altura da sua tradição de defesa dos direitos humanos, de uma ordem internacional assente no respeito dos direitos humanos e que apresente o seu protesto junto das autoridades húngaras”.