Um candidato autárquico do Partido Chega pela Azambuja nas eleições deste ano e também em 2021 foi detido pela Polícia Judiciária (PJ) no passado dia 12 de dezembro, suspeito de abuso sexual de menores e pornografia infantil.
A notícia é da revista Sábado, que identifica o arguido como Rui Pedro Teixeira Moreira, um jovem de 22 anos que era visto no meio hípico como uma “estrela” e treinador de equitação no Centro Hípico Lebreiro, no Ribatejo, onde trabalhava e tinha contacto com crianças e adolescentes. Segundo a investigação, Moreira é suspeito de ter abusado sexualmente de pelo menos dois alunos entre os 11 e os 14 anos, ocorrendo esses alegados crimes entre abril e novembro deste ano. Não é descartada a possibilidade de existirem mais vítimas além das já identificadas.
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Depois de presente a juiz no Tribunal de Loures, foi-lhe aplicada a medida de prisão preventiva, estando agora no Estabelecimento Prisional de Lisboa, face ao risco de continuidade criminosa e de perturbação da investigação.
Suposta política de “tolerância zero” esconde repetição de crimes graves
Até ao momento o partido de André Ventura, tem reagido de forma genérica, reiterando a sua política de “tolerância zero” perante a criminalidade e afirmando distanciar‑se dos atos individuais de quem está sujeito a investigação, prática que já tinha sido invocada em casos semelhantes no passado. Esta resposta oficial que procura “limpar as mãos” ignora, contudo, a repetição de casos em que membros ou representantes do partido de extrema-direita enfrentaram acusações graves.
Em fevereiro de 2025, por exemplo, um deputado municipal do Chega em Lisboa renunciou ao mandato após ser acusado pelo Ministério Público de crimes de prostituição de menores envolvendo um adolescente de 15 anos, episódio em que o próprio envolvido afirmou desconhecer a idade da vítima e que foi interpretado pelo partido como dano de imagem a gerir. Em outubro do mesmo ano, o candidato autárquico de Arruda dos Vinhos do partido foi preso preventivamente por suspeita de abuso sexual e recurso a prostituição e pornografia de menores.
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Tais respostas evidenciam um padrão: o Chega procura manter retórica firme contra a criminalidade para fins eleitorais e de discurso político, desde “castração química para pedófilos” à instituição da prisão perpétua, mas enfrenta dificuldades em assegurar coerência nas escolhas dos seus quadros e dirigentes.
Este novo caso junta‑se a outros incidentes em que membros ou apoiantes do Chega se viram implicados em acusações graves, desde roubo de malas no Aeroporto, tentativas de incêndio provocadas por um mandatário de campanha até investigações sobre ameaças a jornalistas e detenções de dirigentes locais por posse ilegal de arma, coação e outros crimes.