Extrema-direita

Dirigente do Chega acusado de ameaçar rival com faca em luta pelo poder em concelhia

14 de fevereiro 2025 - 10:13

João Rogério Silva é membro do Conselho Nacional do Chega e o principal rosto da concelhia de Oliveira do Hospital. Agora vai responder em tribunal por crimes de dano e ameaça qualificada.

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João Rogério Silva
João Rogério Silva. Foto publicada na sua página Facebook

O Ministério Público acusou João Rogério Silva, conselheiro nacional do Chega e principal figura do partido da extrema-direita em Oliveira do Hospital, pelos crimes de dano e ameaça qualificada. Os factos ocorreram em março de 2023 e o Jornal de Notícias revela partes do despacho de acusação.

Segundo esse despacho, a vítima, António Cardoso, conduzia o carro da empresa onde trabalha na estrada entre Oliveira do Hospital e Mangualde, sendo abalroado por trás por outro automóvel. Em seguida, “enquanto João Silva se encontrava com a faca na mão, proferiu a seguinte expressão, em tom sério e ameaçador dirigida a António Cardoso, ‘vou-te matar’, tendo de imediato passado com a faca junto ao seu pescoço, simulando o gesto de corte”, escreve o Ministério Público. Além da faca, o autor da emboscada trazia consigo uma mangueira com uma corrente, relata António Cardoso, que viu o automóvel danificado pelo agressor com o cabo da faca que empunhava. “A minha vida esteve em risco”, disse ao JN.

O caso ocorreu na sequência do conturbado processo eleitoral para a concelhia do Chega. Neste partido, os membros das concelhias são nomeados pelas distritais, mas há também possibilidade de eleição com o aval da distrital, neste caso a de Coimbra, presidida por Paulo Seco. Cardoso diz ter tido autorização para conduzir o sufrágio, que veio a vencer, mas a distrital não aceitou o resultado e nomeou João Silva.

A versão de Paulo Seco ao JN é diferente: diz que nunca autorizou a eleição e que “eles autoproclamaram-se coordenadores e enviaram a informação para os jornais”, diz o dirigente distrital. A fação derrotada protestou e os seus membros desfiliaram-se a 17 de março de 2023, dois dias antes da emboscada que irá a julgamento.

“Esta gente é capaz de matar”

“A conclusão a que chego é que, se for preciso, em Portugal, quando um indivíduo quer perpetuar-se na política e vê alguém incómodo, manda matá-lo”, afirma António Cardoso ao JN, vincando que “esta gente é capaz de matar” e que não morreu “porque não calhou”.

O Jornal de Notícias consultou uma publicação interna no portal do Chega em que João Silva admite ter cometido “um tresloucado ato” e aponta o dedo a Paulo Seco, dizendo que “foi ele que me impulsionou, encorajou e incentivou a cometer o ato”. O líder da distrital e assessor do Chega na Assembleia da República, considerado próximo de Ventura, afirmou ter conhecimento do caso através de grupos na internet e fez uma participação ao Conselho de Jurisdição do Chega contra António Cardoso, por este o ter apontado como o mandante do crime.

Quanto ao agora acusado pela Justiça, apesar de o caso ser do conhecimento de vários órgãos do partido, nunca foi afastado dos cargos que ocupa. João Rogério Silva foi indicado como suplente do Conselho Nacional na lista eleita na VI Convenção do partido em janeiro de 2024, quase um ano após os factos que resultaram na acusação judicial.  E em declarações à RTP transmitidas esta quinta-feira, clama agora inocência dos crimes pelos quais é acusado, garantindo ter forma de provar que à hora dos factos se encontrava noutro local e com outras pessoas.