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Novo ataque mortífero a discoteca LGBTI+ nos EUA

Um atirador de 22 anos espalhou o terror numa discoteca no estado do Colorado, matando cinco pessoas e ferindo 25, antes de ser imobilizado por clientes. Este ano já houve mais de 600 tiroteios em massa nos EUA.
Foto Adam Knapik/Twitter

A noite de sábado no Club Q, em Colorado Springs, tinha no programa um espetáculo com música punk e alternativa e para domingo estava prevista uma festa para assinalar o Dia da Memória Trans, a data que homenageia as vítimas da violência anti-transgénero. Não se sabe se foi a proximidade da efeméride que levou Anderson Lee Aldrich, de 22 anos, a entrar na discoteca com uma espingarda automática pouco antes da meia-noite e começar imediatamente a disparar.

Segundo os donos da discoteca, os disparos terão durado cerca de dois minutos, até que um homem confrontou e desarmou o atirador e com ajuda de outro cliente do bar conseguiram imobilizá-lo ainda antes da chegada da polícia. “Nem sequer sei os nomes destas pessoas”, disse Nic Grzecka ao Washington Post, “mas o que eles fizeram foi incrível”. E terá contribuído para que o ataque não tivesse feito mais vítimas e se viesse a assemelhar ao ocorrido há seis anos na discoteca Pulse, em Orlando, no estado da Florida, onde um atirador matou 49 pessoas.

Segundo a imprensa, Aldrich não era um desconhecido da polícia. No ano passado, terá feito uma ameaça de bomba e ameaçado a própria mãe, que chamou a polícia, tendo acabado por se render ao fim de quase uma hora de cerco policial. No entanto, esse antecedente não o impediu de conseguir ter acesso a armas e munições que usou para efetuar o ataque de sábado.

Este atentado voltou a chamar a atenção para o fenómeno dos tiroteios em massa - que vitimam mais de quatro pessoas, excluindo o autor - nos Estados Unidos, que este ano já ultrapassaram a fasquia dos 600 casos. Mas também para o aumento da violência contra a comunidade LGBTI+, que surge acompanhada das iniciativas políticas e da retórica agressiva por parte dos grupos conservadores. Para Jay Brown, vice-presidente da Human Rights Campaign, estes atos de violência não podem ser dissociados das tentativas por parte de alguns estados de limitar os direitos LGBTI+. “Só este ano já vimos mais de 340 leis anti-LGBTI+ serem apresentadas”, afirma o ativista, sublinhando que estas iniciativas vêm acompanhadas de retórica anti-LGBTI+ online e por parte de políticos, a par de ameaças concretas. No próprio estado do Colorado, um dos mais favoráveis aos direitos LGBTI+, destaca-se a deputada republicana e ativista pelo porte de armas Lauren Boebert, que não poupa insultos quando se dirige à comunidade transgénero, acusando-a de ser um perigo para as crianças e qualificando os espetáculos de drag para famílias como uma “depravação”. Por isso, a sua mensagem de condenação do ataque nas redes sociais foi criticada como hipócrita por outros políticos do estado.

Na vigília que se seguiu ao ataque, muitas pessoas recordavam outro ataque a tiro que marcou a comunidade de Colorado Springs em novembro de 2015, quando um atirador dos movimentos anti-aborto abriu fogo contra uma clínica de planeamento familiar, matando três pessoas e ferindo outras nove. Outras lembraram a discoteca como um dos poucos locais seguros para os jovens LGBTI+ numa cidade conhecida pelo seu conservadorismo.

Numa declaração feita no domingo, o presidente norte-americano reconheceu que “a violência armada tem um impacto particular nas comunidades LGBTQI+ em todo o país” e insistiu que é preciso “enfrentar a epidemia de saúde pública da violência com armas sob todas as formas”, bem como “afastar as iniquidades que contribuem para a violência contra as pessoas LGBTQI+”

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