O impacto do aumento do preço dos combustíveis e as propostas da direita para mudar as regras no setor dos TVDE levaram centenas de motoristas e operadores a manifestarem-se esta quarta-feira em Lisboa. Concentrados no Campo Pequeno com balões e t-shirts pretas, o cortejo seguiu para junto das sedes da Uber e da Bolt na capital e termina junto à Assembleia da República, com a entrega do caderno reivindicativo.
Os manifestantes exigem o aumento urgente das tarifas por parte das plataformas e protestam contra a intenção proposta pelo PSD e a IL na revisão da lei, que vai permitir aos táxis fazerem serviço TVDE.
Tiago Sousa, do canal TVDE do Tuga e da organização do protesto, disse à agência Lusa que “nos últimos cinco anos, houve uma inflação de 20% em todos os produtos, houve o aumento das tarifas da Bolt em 10%, da Uber em 5% e nós estamos a fazer viagens a menos de 40% do que há cinco anos atrás, o que está a tornar a atividade inviável”. O resultado é que muitos motoristas passaram a fazer “médias superiores a 12, 13 horas por dia para conseguir levar menos do que um ordenado mínimo para casa”.
Ivo Fernandes, da Associação Portuguesa de Transportadores em Automóveis Descaracterizados (APTAD), e Victor Soares, da Associação Nacional Movimento – TVDE (ANM-TVDE) explicaram à Lusa que o protesto surge numa altura em que operadores e motoristas “se alinharam num conjunto de reivindicações, embora ainda haja algumas divergências”.