O deputado do Bloco de Esquerda trouxe o aumento do custo de vida e a ausência de respostas do Governo para o centro do debate quinzenal, acusando Luís Montenegro de recusar-se a tomar “qualquer medida eficaz para conter o custo de vida” que aumentou ainda mais desde os ataques dos EUA e Israel ao Irão.
Fabian Figueiredo concentrou as críticas na proposta de alteração às leis laborais, apontando a sua “coerência”, na medida em que todas as suas medidas “puxam o salário na mesma direção. O problema é que é para baixo” num país que já é “o décimo da Europa onde os salários são mais baixos”.
A propósito desta posição no ranking salarial, questionou Montenegro sobre “que tipo de investimento é que queremos atrair desvalorizando ainda mais o salário dos portugueses”, contrapondo que só pode ser o tipo de investimento “que depende da mão de obra barata” e isso é “uma escolha errada” para o futuro da economia.
Neste pacote laboral, prosseguiu o deputado bloquista, “não existe nenhuma medida que puxe o salário para cima” e também “não se encontram soluções para a vida de quem trabalha, paga impostos e sustenta tudo neste país”.
Na resposta, o primeiro-ministro acusou o deputado do Bloco de enaltecer a anterior revisão das leis laborais do governo PS, conhecida como a Agenda do Trabalho Digno, e de ser responsável pelo que diz ser os seus efeitos negativos para os trabalhadores mais jovens. O apoio a essa reforma, prosseguiu Montenegro, seria mesmo uma das razões para o recuo eleitoral do Bloco nas anteriores eleições.
No final da resposta de Luís Montenegro, o deputado socialista Eurico Brilhante Dias pediu a palavra para lembrar que na votação da Agenda do Trabalho Digno foi Luís Montenegro a optar pela abstenção, enquanto o Bloco votou contra a proposta.