Nova subida dos juros é "terrorismo financeiro contra as famílias

14 de setembro 2023 - 16:47

O líder parlamentar do Bloco defende que o Governo não pode ser indiferente aos "lucros obscenos" da banca e deve obrigá-la a usar esses lucros para baixar a prestação do crédito à habitação das famílias.

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Pedro Filipe Soares
Pedro Filipe Soares. Foto Ana Mendes.

O Banco Central Europeu (BCE) anunciou uma nova subida dos juros em 0.25 pontos base, para os 4%. Foi o décimo aumento consecutivo, numa altura em que a economia europeia entrou em estagnação e a inflação continuava no mês passado bem acima do dobro do que o BCE tem como objetivo.

Em reação a este anúncio, Pedro Filipe Soares afirmou aos jornalistas que ele corresponde a "uma ação de terrorismo financeiro contra as famílias, contra quem tem crédito à habitação e quem tem tantas dificuldades nos dias que correm em fazer o pagamento desse crédito".

"Há uns meses, o BCE dizia que o que faz disparar a inflação são os abusos de preços em alguns setores monopolistas ou oligopolistas à escala europeia e nacional. O que fizeram os governos e o BCE sobre isso? Nada. Continuam a atacar as famílias com aumentos de taxas de juro que não mexem com esses interesses instalados. Pelo contrário, beneficiam os bancos", prosseguiu.

Francisco Louçã
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Para o líder parlamentar do Bloco de Esquerda, se Christine Lagarde voltou a mostrar "uma enorme insensibilidade social", seria "incompreensível que se juntasse uma indiferença social como a que assistimos por parte do Governo" do PS, que já percebeu que "neste jogo dos juros sai sempre o prémio à banca".

"Ao não tomar posição, o Governo aceita esta desigualdade"

Os sucessivos aumentos das taxas de juro que penalizam as empresas e quem tem crédito à habitação beneficiam as contas dos bancos também em Portugal, onde apresentaram no primeiro semestre mais de dois mil milhões de euros de lucros. E "ao não tomar posição, o Governo aceita esta desigualdade, este ataque do BCE, esta gula dos bancos", afirmou Pedro Filipe Soares.

O Bloco entende que agora "é indispensável que o Governo garanta que os bancos são chamados a usar esses lucros para baixar a prestação mensal das famílias", ou seja, fazer "aquilo que já rejeitou uma vez ao Bloco e que agora se torna incontornável": que os bancos sejam obrigados a renegociar a prestação das famílias, baixando a prestação e usando esses lucros para "salvar as famílias que estão em dificuldades".

"O Governo não pode dizer que está muito preocupado e que até é contrário à política do BCE e depois não fazer nada para defender as famílias. Defender as famílias é dizer aos bancos que têm de baixar as prestações, usar os lucros que têm para fazer essa escolha", concluiu o líder parlamentar bloquista.