Obituário

Noémia Louçã (1931-2026)

20 de maio 2026 - 19:50

Com uma vida dedicada à advocacia, foi a primeira mulher advogada a exercer em Lourenço Marques, onde nasceu, e a primeira advogada portuguesa a pleitear no Tribunal Europeu do Direitos do Homem.

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Noémia Louçã
Noémia Louçã.

Faleceu esta quarta-feira em Lisboa aos 95 anos a advogada Noémia Neves Anacleto Louçã. Nascida em Lourenço Marques, atual Maputo, onde o seu pai estava exilado, depois de ter sido várias vezes preso e deportado por oposição à ditadura, Noémia Louçã prosseguiu os estudos em Lisboa.

Licenciada pela Faculdade de Direito de Lisboa, fez parte do MUD Juvenil e em listas para a Associação Académica. Foi a primeira advogada a exercer a profissão em Lourenço Marques e orgulhava-se do seu primeiro caso, aos 25 anos, a defesa oficiosa de um trabalhador moçambicano.

Noémia Louçã foi a primeira advogada portuguesa a pleitear no Tribunal Europeu do Direitos do Homem, onde ganhou um processo contra o Estado português por atrasos na justiça.

Integrou o júri dos exames de agregação à Ordem dos Advogados e recebeu a comenda da Ordem do Infante D. Henrique em março de 1996, das mãos do presidente Mário Soares.

Foi autora de Uma Fragata no 25 de Abril, publicado em 2019 na Parsifal, em que relata a história do navio NRP Almirante Gago Coutinho e a recusa do seu marido, o comandante e capitão de mar e guerra António Seixas Louçã, em cumprir ordens do regime durante o dia 25 de Abril de 1974.

Aderente do Bloco de Esquerda, foi assessora do seu grupo parlamentar, a título gracioso, e representante do partido no Conselho dos Julgados de Paz, a que dedicou muito empenho. Votou na eleição de delegados para a recente convenção do Bloco e, em janeiro deste ano, deu o seu voto a Catarina Martins e ainda teve condições para votar na segunda volta das presidenciais.

O Esquerda.net e o Bloco de Esquerda endereçam sentids condolências à família e amigos de Noémia Louçã.