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No Alentejo, Catarina recusa irresponsabilidade ambiental e abuso de direitos humanos

Numa sessão em Ferreira do Alentejo, a coordenadora do Bloco afirmou que “na terra da fraternidade” os alentejanos recusam a forma desumana como são tratados os imigrantes, e recusam também ser espoliados da água, do solo e do trabalho na terra onde vivem e querem viver.
Foto Esquerda.net.

“Há quem queira que Portugal seja o país de Odemiras, de exploração laboral e da irresponsabilidade ambiental. O Bloco é o único partido que se levantou em todos os momentos contra a ideia de um país ambientalmente irresponsável e que abusa dos direitos humanos”, destacou Catarina Martins.

A dirigente bloquista lembrou que José Sócrates quis alterar por completo o Alentejo como se na região não vivesse ninguém, como se não houvesse nenhuma economia e nenhuma produção. O então governante socialista mobilizou uma “retórica contra a população, como se a população e os modos tradicionais de produção fossem, eles sim, o obstáculo ao desenvolvimento do Alentejo, e não o desinvestimento e o abandono a que esteve sujeito o Alentejo durante tanto tempo”, referiu Catarina.

De acordo com a coordenadora do Bloco, o Partido Socialista perseguiu a pastorícia extensiva e a agricultura extensiva: “Nesta lógica de empurrar a população alentejana para fora dos seus sítios e de acabar com os seus modos de produção e o seu direito à água, à terra, à sua atividade, que era extensiva e responsável”, foi-se criando “o desespero de quem viveu aqui toda uma vida”, apontou.

Por outro lado, “permitiu-se tudo e mais alguma coisa para as culturas super-intensivas que tiram tanta riqueza do Alentejo e que deixam cá tanta destruição, que não deixam cá nenhuma riqueza”.

Para Catarina Martins, é o momento “para construir uma alternativa, por forma a que a riqueza do Alentejo seja a riqueza de quem aqui vive e de quem aqui trabalha”. Porque o “abuso e a violência profunda sobre o solo, a água e os trabalhadores imigrantes, é também uma violência sobre quem sempre aqui viveu e aqui quer viver”.

“Na terra da fraternidade, os alentejanos recusam a forma desumana como são tratados os imigrantes, e recusam também ser espoliados da água, do solo e do trabalho na terra onde vivem e querem viver”, frisou.

A coordenadora do Bloco lembrou também que o governo PSD/CDS estendeu a possibilidade de fazer mais produção intensiva e, inclusive, de produzir cada vez mais mesmo em área reservada.

Catarina recusa que o Alentejo seja uma “espécie de experiência das piores políticas neoliberais negacionistas das alterações climáticas e da responsabilidade ambiental e uma absoluta lei da selva das relações laborais”.

“Essa ideia é uma ideia que nenhum alentejano ou nenhuma alentejana de nascimento ou adoção pode aceitar. Sabemos sim que esta terá de ser terra de justiça e terra onde se vive bem e de cabeça erguida”, sublinhou a dirigente bloquista.

José Esteves criticou o “modelo de desenvolvimento que nos leva ao fundo”

Após Alberto Matos, mandatário da candidatura do Bloco pelo distrito de Beja, e ativista pelos direitos dos imigrantes, ter apresentado a lista de candidatos e candidatas, o cabeça-de-lista José Esteves criticou o “modelo de desenvolvimento que nos leva ao fundo”, e que é “assente na monocultura do olival”.

De acordo com José Esteves, este modelo “prejudica a diversificação económica, que é aquela que nos protege de crises, prejudica o ambiente e a demografia”, e traduz-se no encerramento dos serviços públicos, no despovoamento e consequente desertificação do interior.

O Bloco propõe uma agricultura diversificada que respeite o meio ambiente; uma indústria transformadora daquilo que é produzido, já que “não basta produzir, é preciso transformar, criando mais-valia”, a criação de emprego todo o ano, ajudando a fixar população; a combustagem do bagaço da azeitona, poupando o meio ambiente; e a distribuição justa da água para a agricultura familiar. O candidato alertou que é preciso “reduzir a pressão na agricultura e nos agricultores, a sua dependência” e lamentou que o PS já tenha falhado a tantos compromissos de investimento na região.

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