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Navio de resgate de migrantes à deriva no Mediterrâneo há 14 dias

São já dois os navios de resgate com 49 migrantes que aguardam, um há 14 dias, outro há sete dias, para aportar na Europa. Portugal disponibilizou-se para acolher até dez migrantes após o desembarque.
Foto publicada na página de facebook da Sea-Watch.

A bordo do Sea Watch 3, da organização não-governamental alemã Sea Watch, encontram-se 32 migrantes: 21 homens, quatro mulheres, três crianças e quatro menores não acompanhados, que foram resgatados ao largo da costa da Líbia a 22 de dezembro. Estão à deriva à 14 dias.

Já no Professor Albrecht Penck, da Sea-Eye, 17 migrantes aguardam há sete dias informações sobre qual será o seu futuro.

As condições a bordo deterioram-se. A Sea Watch tem vindo a publicar relatórios na sua página de facebook que dão conta de que os voluntários estão exaustos e as reservas de comida e água estão a terminar.

Vários migrantes têm tido “graves enjoos”. “Para pessoas desnutridas e débeis, a consequente desidratação pode pôr em risco a sua vida, especialmente quando conjugada com hipotermia”, alerta a organização não-governamental, sublinhando que a situação é mais preocupante no que respeita às crianças, com um, seis e sete anos.

Em declarações à agência Reuters, Bob Kiangala, um dos migrantes recolhidos pelo Sea Watch 3 afirmou que ninguém percebe o que está a acontecer: “Não somos peixes, não somos tubarões, somos humanos como toda a gente. Fizemos esta travessia, arriscámos as nossas vidas para chegar à Europa e agora que chegámos a Europa recusa-nos, e não compreendemos porquê”, frisou.

Portugal disponibiliza-se para acolher até dez migrantes

A Comissão Europeia “tem estado em contacto com vários Estados-membros para encontrar uma solução para o desembarque rápido das pessoas”, avançou na quinta-feira a porta-voz Mina Andreeva.

Portugal, Holanda e Alemanha já se mostraram disponíveis para acolher alguns migrantes após o desembarque. A Alemanha coloca, contudo, como condição que outros países europeus adotem o mesmo compromisso.

O ministério da Administração informou que o “país tem respondido a todas as situações de emergência que resultam dos resgates de migrantes no Mediterrâneo”, tendo manifestado disponibilidade para acolher parte destas pessoas. Fá-lo “por razões humanitárias”, “face à situação de emergência em que se encontram estas pessoas”, e como resultado de um “compromisso de solidariedade e de cooperação europeia assumido por Portugal em matéria de migrações”.

“Portugal continua, no entanto, a defender uma solução europeia integrada para responder ao desafio dos fluxos de migrantes que procuram chegar à Europa através do Mediterrâneo”, destaca o ministério.

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