Aviões militares sob comando da NATO estão a bombardear a cidade de Sirte, a meio caminho entre Benghazi e Tripoli, próximo objectivo que as forças rebeldes pretendem capturar ao exército de Kadhafi.
Na perspectiva da reunião de Londres, o presidente francês, Nicolas Sarkozy, e o primeiro ministro britânico, David Cameron, emitiram um comunicado conjunto anunciando que a conferência tem como objectivo proporcionar “um novo começo” para a Líbia. Segundo os dois dirigentes, a guerra contra a Líbia “não é um objectivo em si mesmo” mas só terminará quando os “aliados” considerarem que a população civil está em segurança”. Entretanto, os cerca de 35 países que participarão na reunião, segundo o comunicado franco-britânico, vão criar um espaço de diálogo entre as forças líbias e exigir a demissão de Kadhafi, prevendo-se que um país africano esteja disponível para o acolher no exílio.
A conferência de Londres, na qual participará a secretária de Estado norte-americana, é considerada uma reedição da que se realizou também na capital britânica para então resolver o problema da guerra do Afeganistão.
Na reunião, Berlusconi irá apresentar uma proposta de cessar-fogo imediato, exílio de Khadaffi, procura de um acordo político e a institucionalização do diálogo entre os dirigentes rebeldes e os chefes tribais.
Barack Obama, Sarkozy, Cameron e a senhora Merkel deverão entretanto participar numa vídeo conferência prévia à reunião de Londres.
No terreno, as forças rebeldes procuram avançar pela estrada costeira utilizando armas que têm sido fornecidas pela Arábia Saudita, a pedido da Administração Obama, e com a cobertura dos bombardeamentos aéreos dos “aliados” ocidentais. Porta-vozes da oposição chegaram a anunciar a captura de Sirte, a cidade natal de Kadhafi e que dispõe de um forte dispositivo militar, mas jornalistas da Reuters no terreno comprovaram que o anúncio era falso. Aviões da NATO começaram entretanto a bombardear Sirte em sintonia com as movimentações das tropas rebeldes.
As tropas leais a Kadhafi reforçaram, segundo as informações mais recentes, o seu domínio sobre Misrata, a terceira cidade mais importante do país.
O Conselho de Transição tem vindo a intensificar as acções de propaganda durante as últimas horas. A iniciativa mais recente é a de anunciar que os apoiantes de Kadhafi “serão perdoados” no caso de virarem as costas ao seu dirigente.
O secretário geral da NATO, Anders Fogh Rasmussen, afirmou entretanto que a aliança “é absolutamente neutral” no conflito entre o governo e a oposição. “Protegemos civis no quadro do mandato das Nações Unidas, nem mais nem menos”, disse. De acordo com as autoridades de Tripoli, os bombardeamentos estrangeiros provocaram já mais de 100 mortos, o que a NATO nega.
A Rússia acusou entretanto os países ocidentais de extravasarem a resolução 1973 das Nações Unidas ao tomarem partido por um dos sectores da guerra civil além de terem imposto a zona de exclusão aérea.
O jornal italiano Il Sole 24 Ore revelou entretanto que mercenários islâmicos de grupos cujas origens podem encontrar-se nos tempos da guerra do Afeganistão contra a União Soviética integraram as forças da oposição que tomaram a cidade estratégica de Ajdabiya às tropas de Kadhafi.
A confirmação foi feita por Abdul Kakim al-Hasidi, o chefe da facção fundamentalista que governa a cidade líbia de Derna e que combateu ele próprio no Afeganistão mas já contra as tropas da NATO, sendo preso por estas em Peshawar, quando regressava ao Paquistão. As autoridades norte-americanas entregaram-no ao governo de Kadhafi, que o manteve detido até 2008, quando foi libertado com centenas de militantes do Grupo de Combatentes Islâmicos da Líbia.
Al-Hasidi confirmou que os seus combatentes participaram ao lado da al-Qaida nas acções contra as tropas norte-americanas no Iraque e agora fazem parte das forças da oposição protegidas pela NATO porque são “patriotas, bons muçulmanos e não são terroristas”. Negando a existência de laços com o grupo de Bin Laden, Al-Hasidi considera que também os militantes deste “são bons muçulmanos” e que “se a guerra se prolongar será previsível que mais combatentes estrangeiros se juntem às nossas fileiras”.
Segundo dados oficiais norte-americanos, o contingente de extremistas islâmicos foi o segundo mais numeroso entre os grupos estrangeiros que combateram contra a invasão do Iraque, logo a seguir ao da Arábia Saudita.
Artigo publicado no portal do Bloco de Esquerda no Parlamento Europeu