Milhares de pessoas formaram cordão humano pela Palestina em Lisboa

16 de dezembro 2023 - 19:19

Respondendo ao apelo da Plataforma Unitária de Solidariedade com a Palestina, milhares de pessoas formaram um cordão humano pelo percurso entre o Hospital de Santa Maria e a Maternidade Alfredo da Costa, passando pelas embaixadas de Israel e dos EUA.

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Foto de Rafael Medeiros.

Kufiyas, bandeiras palestinianas, roupas verdes e vermelhas, cartazes em diferentes línguas, mãos dadas e vozes ao alto por uma Palestina livre, o fim do genocídio do povo palestiniano e da ocupação colonial sionista.

Foram vários os coletivos que marcaram presença, como é o caso do grupo Judeus pela paz e justiça ou do grupo de profissionais de saúde que já reuniu mais de 900 assinaturas numa carta aberta a exigir o cessar-fogo.

Os principais responsáveis pelo massacre em curso na Faixa de Gaza , Israel e os Estados Unidos, foram claramente identificados durante a iniciativa, mas também não foram esquecidos todos os seus cúmplices e todos aqueles que beneficiam com a carnificina. O Governo português não saiu isento de críticas, sendo acusado de cumplicidade com o apartheid israelita.


Ver Fotogaleria do Cordão Humano pela Palestina


“Sem demoras, é urgente, cessar fogo permanente” foi uma das palavras de ordem entoada durante o percurso, com intervenções de representantes dos coletivos, como é o caso de Dima Mohammed, da Plataforma Unitária de Solidariedade com a Palestina.

Dima lembrou as iniciativas que se multiplicam um pouco por todo o mundo, e que mostram que o povo palestiniano não está sozinho. São cada vez mais as vozes a expressar a sua solidariedade por um “povo que resiste há décadas ao projeto colonial sionista” e a apoiar a “luta legítima do povo palestiniano pela liberdade, pela dignidade, pela justiça”, assinalou a ativista.

Aliyah Bhikha, do coletivo As Feministas.pt, referiu que Israel tem deixado um “rasto de destruição” generalizado, e que “o que sobra é um discurso desumanizador e a propaganda de ódio”.

“O povo palestiniano não deve ser obrigado a implorar pela sua humanidade. A humanidade é-lhes inerente por direito”, disse. Aliyah Bhikha fez referência à situação das mulheres palestinianas, sem acesso aos necessários cuidados obstétricos.

António Baptista, do grupo amizade Portugal Sahara Ocidental, afirmou que “a desumanidade em direto” com que temos sido confrontados “apela-nos a estar aqui e a demonstrar solidariedade para com este povo mártir que foi expulso da sua terra e a quem hoje as forças mais tenebrosas do sionismo querem conduzir a um holocausto”.

A agência Lusa falou com uma palestiniana de 29 anos, Henneen Sebbh, que fugiu de Gaza há cinco anos, depois de, juntamente com os dois filhos, ter visto “a morte de perto”.

“Em 2017, tivemos uma experiência de quase morte. A nossa casa foi bombardeada, havia muito fumo, estávamos a sufocar. Foi muito assustador”, relatou Henneen Sebbh.

“Percebi que não podia ficar lá, tive de fugir da violência e procurar uma vida melhor e com mais liberdade”, continuou.

A palestiniana afirmou que perdeu “muitos familiares” desde o início da ofensiva israelita em Gaza.

“Só agora consegui falar com uma das minhas irmãs. Os meus pais fugiram mais para sul há um mês e sabemos que o bairro deles foi destruído entretanto”, relatou.

Henneen Sebbh explicou participar na iniciativa “em defesa da vida”. “Gaza é um reflexo do mundo atual. A vida está a ser atacada em todo o lado e é preciso parar estas atrocidades”, apontou.